Brasil busca acordo com países fora do Mercosul
O Brasil continuará buscando acordos em separado com outros países enquanto não houver um entendimento com os parceiros do Mercosul - especialmente com a Argentina - sobre um regime automotivo comum, disse ontem o ministro da Indústria, Comércio e Turismo (Mict), José Botafogo Gonçalves. Ele afirmou que o País já está negociando um acordo nessa área com o Chile e com os países do Pacto Andino (Colombia, Peru, Venezuela e Equador).
Esta é uma maneira de proteger nossos interesses e de fazer com que as negociações saiam desta situação de indefinição, enfatizou o ministro. Além das negociações que começaram a ser feitas com o Chile e os países andinos, o ministro citou a possibilidade de abrir conversações com a África do Sul, país que visitou há duas semanas. Segundo ele, o governo sul-africano ficou extremamente interessado em negociar um acordo comercial com o Brasil, em áreas que vão desde o setor automotivo ao de máquinas e equipamentos.
Este fluxo comercial com a África do Sul está em aberto, e se realizarmos um acordo bilateral, este, mais tarde, poderá ser mercosulizado, afirmou.
Segundo Botafogo, o governo brasileiro vai fazer mais uma tentativa para resolver as questões pendentes no Mercosul, durante o 10º encontro do Conselho de Ministros de Relações Exteriores da Associação Latino Americana de Livre Comércio (Aladi), que teve início ontem em Montevidéu (Uruguai) e se estende até o final da semana.
As negociações sobre um regime automotivo comum no Mercosul estão emperradas desde junho último, quando um texto básico sobre o assunto deveria ter sido concluído. A Argentina, contudo, tem dificultado as negociações em função da pressão dos empresários daquele país.
Botafogo disse que depois da proposta veiculada - e que não chegou a ser formalizada ao governo do Brasil -, na qual os argentinos pretendiam que, para cada carro brasileiro colocado naquele país, fossem colocados quatro automóveis argentinos no Brasil, o governo do presidente Carlos Menem fez uma outra proposta que também foi rejeitada pelo Brasil.
Conforme o ministro, nesta última proposta, os argentinos ofereciam um intercâmbio compensado na comercialização de veículos na proporção um por um, entre os países do bloco, acompanhado de uma liberação gradual na comercialização. Ou seja, durante cinco anos, haveria uma quantidade determinada de veículos que poderia ser vendida fora desse regime compensatório.
O governo brasileiro, conforme Botafogo, não aceitou esta proposta por considerar que não seria uma sinalização conveniente à indústria automotiva mundial, que é a de fazer do Mercosul uma plataforma ampla e livre de exportação para outros mercados. Este é o enfoque da Renault, da Chrysler e da General Motors, por exemplo, e nós também queremos que essas montadoras exportem daqui para os Estados Unidos, Europa e outros países, observou.
Na avaliação dele, não é interessante nem para a própria Argentina manter um regime automotivo administrado por mais cinco anos.Arquivo FolhaBotafogo Gonçalves: nova tentativa durante encontro no UruguaiAgência Estado





