Brasil aumenta vigilância na fronteira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu, Agência Estado e Inter Press 
O Brasil aumentou ontem a fiscalização na fronteira para evitar a entrada de carnes ou animais do Paraguai e Argentina. A confirmação de focos de febre aftosa nas províncias argentinas de Corrientes, Formosa e Entre Rios é motivo de apreensão. Uma blitz montada pelo Ministério da Agricultura vistoriou ontem 19 pontos de compra, venda e distribuição de carne em Foz do Iguaçu.
Nos últimos dois dias, os fiscais encontraram 400 quilos de carne irregulares. Mas não foi registrada carne de origem paraguaia. Ontem foram encontrados apenas 90 quilos de carne de ovelha de procedência duvidosa.
A maioria das irregularidades que encontramos está ligada ao registro do SIM (Serviço de Inspeção Municipal) e à Licença Sanitária, explicou o fiscal da Vigilância Sanitária, Dorival Jorge Junior.
A operação está sendo realizada com a cooperação da Vigilância Sanitária e da fiscalização estadual. Um grupo de nove pessoas percorre varejo, distribuidoras e matadouros.
Outro problema confirmado foi a ausência de embalagens rotuladas em certas distribuidoras. Depois de comprar a carne com o rótulo de origem, estas empresas manipulam o produto, desossando e separando as peças. A partir daí, é necessário uma nova embalagem, explicou Mônica Karan Silva.
Também no Mato Grosso do Sul autoridades sanitárias estão preocupadas. O delegado federal de Agricultura no MS, José Antônio Roldão, acredita que possivelmente hoje terá um posicionamento sobre a ajudas das forças armadas. Ele afirmou que essa ajuda é de extrema importância na defesa do rebanho bovino do Estado que é o maior do País, em gado de corte.
A aftosa, que parecia controlada, está de volta à Argentina, fazendo que o país adie um ambicioso projeto de reconquista do mercado mundial de carne de gado. Alguns animais examinados na região Noroeste mostraram anticorpos do vírus, um fato que pegou de surpresa os especialistas. Essa é uma notícia muito desagradável, que obriga o adiamento dos projetos de venda de carne para o Japão, Coréia do Sul e México, mas tenho esperanças de que o problema será contornado, diz à IPS o engenheiro Alberto de las Carreras, autor do livro A aftosa na Argentina: um desafio competitivo.
O especialista, membro da Câmara de Exportadores, considera que a Argentina e o Brasil deveriam criar um fundo financeiro para erradicar os focos de aftosa na Bolívia e no Paraguai, evitando assim maiores custos, a longo prazo.


