Brasil atua de forma efetiva contra aquecimento global
Outro assunto de peso que foi discutido no IV Congresso Nacional de Responsabilidade Sociambiental foi acerca das mudanças climáticas no mundo, e qual o papel do Brasil para lidar com o aquecimento global. Quem falou ontem no fechamento do evento foi José Domingos Gonzalez Miguez, coordenador geral de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e secretário executivo da comissão interministerial da mudança global do clima desde 1999.
Miguez comentou que o assunto é complicado porque as consequências são de longo prazo e os governos estão preparados para lidar com assuntos complexos por apenas quatro anos. ''A principal dificuldade é que os primeiros passos são pequenos comparados com o caminho a percorrer. Mas desde 1988 o assunto foi organizado e já mobilizamos a sociedade para a ação, ainda que pequena em relação ao que é necessário fazer''.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), deve haver uma redução de pelo menos 50% dos gases que causam o efeito estufa (cerca de 42 bilhões de toneladas ano) para que o Planeta seja capaz de reciclar o dióxido de carbono (CO2) que a população emite. ''Ainda estamos muito tímidos, a meta do Protocolo de Kyoto, por exemplo, é reduzir 5% em relação a 1990. As ofertas de redução de gases países desenvolvidos somadas ficam entre 13% e 18%'', calculou José Domingos.
Já em relação ao papel do Brasil no assunto, o coordenador do MCT disse e o País está realizando um trabalho muito eficiente, principalmente devido a queda acentuada do desmatamento, de 25 milhões de hectares/ano para 1,8 milhão de hectare/ano. ''Em relação a matriz energética, nós somos bastante limpos no sentido de bom uso de energia renovável, cerca de 47%. Isso é muito maior do que os países desenvolvidos, que ficam na ordem de 8%''.
Domingos comentou ainda que o Brasil tem se mostrado bem maduro nestas discussões - muitas vezes sendo protagonista de algumas negociações internacionais - e que os brasileiros têm consciência ambiental. Ele cita as discussões ''acaloradas'' do Código Florestal como exemplo disso. ''Para que os resultados sejam realmente efetivos, é preciso que haja um acordo internacional. Não dá para ficar fazendo sozinho sendo que os grandes emissores como Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha, Rússia e Índia não estão cooperando. O Brasil não tem capacidade de fazer isso, é preciso cooperação''. (V.L.)





