Brasil afirma que 'paga' pela energia extra de Itaipu
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quinta-feira, 09 de agosto de 2012
Folhapress 
São Paulo - O porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, afirmou ontem que o Brasil ''paga'' pela energia extra da hidrelétrica de Itaipu e que o Paraguai ''não a cede'', como disse anteontem o presidente do país, Federico Franco.
''Não existe cessão de energia, ela é comprada. Essa energia, para o Brasil não vem de graça'', declarou ele, em alusão à eletricidade gerada pela represa binacional de Itaipu.
As declarações de Franco tiveram uma grande repercussão no Brasil, sobretudo pela afirmação de que o Paraguai decidiu de forma ''clara'' que seu país ''não continuará cedendo'' energia.
''Notem que usei a palavra 'ceder', porque o que estamos fazendo é dar energia para o Brasil e a Argentina, pois não a estamos vendendo'', disse Franco.
Tovar lembrou que ''tudo relacionado à represa de Itaipu'' está regulado por um tratado, segundo o qual Brasil e Paraguai têm direito, cada um, a 50% da eletricidade gerada, que estabelece claramente que a energia não utilizada deve ser vendida ao outro sócio.
Como o Paraguai satisfaz sua demanda com apenas 5% da eletricidade de Itaipu, o restante acaba no Brasil, que desde 2011 paga cerca de US$ 360 milhões (R$ 729 milhões) ao ano pela energia.
Preço
O preço foi triplicado neste ano, após longas negociações lideradas pelo então presidente Fernando Lugo, que já tinha feito desse aumento uma bandeira desde a campanha eleitoral que o levou ao poder em 2008.
Nunes disse ainda que o Brasil ''não tem conhecimento de que se pretenda fazer ajustes'' e que não recebeu ''nenhuma comunicação oficial'' sobre a suposta decisão de Franco, que para ser formalizada deveria ser ''negociada'' por ambos os países.
O Brasil mantém praticamente congeladas suas relações com o Paraguai desde a destituição de Lugo, em junho passado, e promoveu a suspensão temporária do país do Mercosul.


