Brasil adota o princípio da precaução
São Paulo - Nos EUA, onde foram plantados 54,6 milhões de hectares de transgênicos no ano passado - ante 11,5 milhões no Brasil, grande parte pirateada -, os órgãos públicos, por princípio, acreditam nos relatórios das empresas e nos pareceres dos cientistas. Se houver dúvidas, os pareceristas repetem os testes em laboratório. Se algo der errado depois de lançado no mercado, a empresa presta contas à Justiça. É assim também com os medicamentos, recorda Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
A própria Embrapa abandonou uma linha de pesquisa quando detectou que uma proteína de castanha de caju transferida para o feijão causava alergia. Normalmente, dizem os especialistas, é isso o que ocorre e, por isso, passados dez anos, não há casos cientificamente comprovados de problemas causados por transgênicos no mercado.
No Brasil, tem-se invocado o princípio da precaução, segundo o qual o ônus da prova recai sobre as empresas e, sem uma garantia absoluta, não se dá licença. No caso da agricultura, isso cria um círculo vicioso, dizem os especialistas.
A área de um experimento de pesquisa é pequena demais para se saber como o cultivo em grande escala vai interagir com o ambiente. Como no Brasil não se aprova o cultivo em escala comercial, que seria então monitorado ano a ano, não se chega a uma conclusão definitiva. E a fila da CTNBio não anda. (AE)





