O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, admitiu ontem que a mudança do sistema de câmbio poderá levar a uma nova conversa do governo com o Fundo Monetário Internacional. ‘‘Pode ser necessário (ter) uma nova conversa com o Fundo em razão das alterações’’, disse Lopes.
Ele ressaltou, entretanto, que um eventual diálogo com o FMI ‘‘não redundará necessariamente em uma revisão completa do acordo’’. Segundo Altamir Lopes, ainda não foram marcadas novas reuniões com o FMI e, pelo cronograma estabelecido no acordo, a primeira revisão só deveria ocorrer em meados de fevereiro.
O chefe do Departamento Econômico do BC disse que, teoricamente, a desvalorização do real em relação ao dólar poderá levar a um aumento das despesas com juros dos títulos cambiais. Mas, segundo ele, não há nenhuma estimativa do gasto adicional com juros que a desvalorização poderá causar.
Ele explicou que a dívida federal atrelada ao câmbio somava R$ 66,361 bilhões em novembro de 1998, última posição oficial divulgada pelo BC. Todo o estoque desses títulos foi atingido pela desvalorização, que aumenta a remuneração do papel.
Lopes disse, entretanto, que as novas colocações de papéis cambiais já devem passar a refletir uma taxa de desvalorização menor a partir de agora. Com a mudança do sistema de câmbio, a perspectiva de desvalorização de agora em diante passa a ser de valores em torno de 3% anuais, percentual inferior ao índice de 7,5% projetado antes.
Ele também disse que, se todos os outros fatores forem favoráveis, a mudança do sistema de câmbio poderá permitir uma queda mais acentuada das taxas de juros. Com isso, as despesas com juros da dívida pública poderiam diminuir.
Lopes disse que estão sendo feitos esses cálculos para apurar o impacto líquido desses efeitos nos gastos com juros.
O acordo com o FMI estabelece uma meta de déficit nominal máximo de União, Estados, municípios e empresas estatais de R$ 17,145 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O descumprimento dessa meta pode levar à suspensão dos desembolsos do empréstimos do FMI. Nesse caso, restaria ao governo fazer um pedido de ‘‘waiver’’, o perdão do cumprimento da meta.Lindauro GomesDiálogo abertoAltamir Lopes, do Departamento Econômico do BC: ‘‘Eventuais conversas com o FMI não significam revisão completa do acordo’’Agência Folha

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