Depois 11 de setembro e das ameaças terroristas, o mundo mudou, mas não vai parar. Várias e importantes reuniões de fóruns internacionais foram realizadas, tais como: OMC, G-7, Banco Mundial, FMI, etc., todos concluindo que, apesar das dificuldades e incertezas, a economia mundial deverá crescer entre 1% e 2% em 2.002, o que não é tão ruim.
Esta sinalização não quer dizer que tudo cresça ou caia homogeneamente e, assim, é previsível que nos países mais ricos os setores de turismo, bens duráveis (automóveis, televisores, geladeiras, etc.) e máquinas e equipamentos sejam os que mais sofrerão quedas de demanda. Para outros setores de embora mantenham um razoável dinamismo, é previsível que os preços em geral no mercado internacional continuem frouxos.
Neste quadro o Brasil poderá levar vantagens, como vendedor do turismo natureza/alegria, alimentos e manufaturas tradicionais. Mas a concorrência será duríssima. No quadro interno, temos a registrar que a política econômica do Governo Cardoso levou à uma substancial piora dos fundamentos da economia, gerando, por consequência, uma diminuição da capacidade competitiva de nossos produtos e serviços.
Vejamos alguns fatos importantes dos últimos sete anos:

q A carga tributária cresceu perto de 40%, saindo de aproximadamente 23% para 33% do PIB e a prometida reforma tributária foi postergada para o próximo governo;
q A dívida líquida do setor público saltou de 153 para 670 bilhões de reais, sendo que somente o governo federal deverá pagar neste ano mais de 70 bilhões de reais de juros, ou seja, mais do que o custo de uma e meia usina tipo Itaipu;
q A dívida externa bruta saiu de 148 para mais de 205 bilhões de dólares, pagando somente neste ano juros equivalentes a uma e meia Itaipu;
?as taxas básicas de juros variaram entre 17,5% e 60%, situando-se hoje entre as três mais altas do mundo;
q A instabilidade cambial, gerada pelas intervenções do Banco Central, não permitiram nenhum planejamento de médio prazo no setor privado. Aliás, aqui está a pior faceta da atual política econômica. Analisemos o gráfico a seguir.

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