Enquanto nós ficamos aqui chamando os asiáticos da Coréia do Sul, Japão, Taiwan, Cingapura e outros de Tigres Asiáticos, eles agora nos chamam de Leopardo Ocidental. Não é para menos, uma vez que, com todas as mazelas da saúde e educação que conhecemos de cor e salteado, o Brasil é a bola da vez, na frente da China e Índia, nos investimentos internacionais. O mercado em que vivemos e a posição estratégica do Brasil tem feito com que todos queiram investir aqui. O país é hoje o segundo maior mercado do mundo em jatinhos executivos, helicópteros, fornos de microondas e o terceiro mercado do mundo em número de televisores coloridos, geladeiras, máquinas de lavar roupas, e por aí vai, tendo-se uma visão do que realmente está acontecendo com o Brasil.
É claro que não estamos aqui fechando os olhos e dizendo que tudo está bem, que o governo Fernando Henrique é ótimo, etc. Mas também não queremos ser visionários para dizer que tudo está mal e que não há mais nenhuma saída. O Brasil definitivamente entrou para combater de frente, o que tem assustado a muitos, porque a nossa posição até então era da mais pura passividade. As coisas mudaram, o mundo mudou e o país também teve que mudar. Já somos hoje o primeiro país do mundo em número de marcas de montadoras de veículos, ou seja, onze no total.
Se isto é totalmente bom ou totalmente ruim não vem ao caso. Mostra o potencial do País. O mundo passa por uma avalanche de automação do trabalho e o que preocupa é o emprego. Mas normalmente, quem tem ficado sem trabalho é o não qualificado. O governo deve olhar com mais atenção para a qualificação e profissionalização do povo. Indústria hoje não emprega mais ninguém. Desemprega, isso sim. Então, será o caos. Na verdade alguns dados surpreendentes estão acontecendo. Num mesmo momento, quando a FIESP numa leitura de ambiente informou a demissão de 98.000 trabalhadores, a prestação de serviços havia colocado 97.000 novas vagas de trabalho.
A criatividade do setor tem sido alta. O comércio também tem dado sinais de não crescer em pessoas, substituindo pela máquina. Mas é o País diminuindo a distância para o primeiro mundo. Dia deste, o renomado economista americano John Galbraith disse a seguinte frase: ‘‘A vocês do Brasil, meus parabéns e meus pêsames. Meus parabéns porque vocês entraram definitivamente na era da modernidade. Meus pêsamos porque agora vocês vão ter que começar a trabalhar’’. Pelo sim e pelo não, o Brasil conquista a cada dia que passa o respeito internacional. As empresas daqui não podem e nem estão ficando tupiniquins.
Hoje em qualquer empresa que preze sua modernidade, sobrevivência ou competitividade, fala-se em qualidade de serviços, padrão de trabalho e de produtos, em pessoal treinado e qualificado, em velocidade da informação e em constantes lançamentos de produtos para fazer frente a qualquer tipo de concorrência. Aqueles que não estão pensando assim, ou já morreram ou estão morrendo. Porque a concorrência não é mais do vizinho da sua fábrica. Vem de onde você nem imagina. Outro dia, eu estava esperando para embarcar num aeroporto e resolvi tomar um suco, cuja latinha custava o preço de uma coca-cola. O suco era muito saboroso e quando fui por curiosidade verificar sua procedência, fiquei intrigado, pois o mesmo era fabricado na África do Sul, vendido aqui no Brasil pelo mesmo preço ou até menos do que os produtos locais.
O que não adianta é ficar esperando para ver o que acontece, porque esse não chegará nunca a lugar nenhum. Acontece que o Brasil tem despertado os olhos do mundo e tem sido mesmo chamado de leopardo ocidental. O que precisamos ter em conta é ir à luta e ter sempre em mente que os tigres não estão hibernando.

mockup