Brandão propõe programa emergencial
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sábado, 30 de novembro de 1996
Elvira Fantin<br>Sucursal de Curitiba 
O secretário da Agricultura, Hermas Brandão, enviou um ofício ontem ao ministro, Arlindo Porto, propondo um programa emergencial o trigo. Todas as medidas adotadas até o momento para a rápida comercialização do produto não tiveram o efeito desejado e parte dos produtores não conseguiu vender. A não comercialização da safra a preços compatíveis pode comprometer a renda do produtor e frustrar os próximos plantios, adverte Brandão. Acredita que o aumento da área na próxima safra de inverno depende do que acontecer agora.
Entre as medidas propostas pela Seab e cooperativas estão a aquisição pelo próprio governo das 680 mil t de trigo entregues ao Banco do Brasil pelos produtores como forma de pagamento de seus custeios; autorização da venda da safra através de EGF/COV, a disponibilização de recursos de EGF para as indústrias adquirirem o produto e a elevação do valor do Prêmio de Escoamento da produção (PEP) para os leilões da Conab.
Brandão propõe ainda o pagamento à vista para as importações de trigo para que sejam viabilizadas condições similares de juros e prazos para o produto nacional e a isenção das taxas de classificação para o trigo nacional.
De acordo com o secretário, é necessário também buscar a equiparação dos índices de custos de produtividade e qualidade industrial da produção do trigo brasileiro aos índices do produto concorrente importado.
Para ele, o trigo nacional está sendo discriminado no mercado doméstico em comparação ao trigo estrangeiro por motivos financeiros e não de qualidade, forçando a baixa do preço do produto nacional por conta dos preços futuros do produto argentino, que entra no mercado a partir de dezembro.
Na segunda-feira, às 10 horas, o ministro vai receber dirigentes de cooperativas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para negociar a melhor comercialização do trigo.
Novos valores O governo anunciou ontem os novos valores do PEP. O aumento varia de 10% a 25%. Na terça-feira, a Conab já começa a executar os novos preços. Nos quatro primeiros leilões as vendas não passaram de 5% porque os moinhos alegavam que o prêmio era pequeno. Outra novidade: os três Estados do Sul, que são os fornecedores, também podem comprar o trigo. Os novos valores dos prêmios serão os seguintes: R$ 3,00 para o trigo ofertado pelo Paraná e comprado por moinhos do próprio Estado. Os moinhos de São Paulo passarão a receber um PEP de R$ 11,00 para a aquisição do trigo do Paraná. Para os moinhos de Minas, Goiás e do Distrito Federal o prêmio passa de R$ 14,00 para R$ 20,00; Rio de Janeiro sobe de R$ 25,00 para R$ 30,00 e para o Norte e Nordeste sobe de R$ 49,00 para R$ 54,00. Para o trigo ofertado pelo RS e SC os aumentos seguem a mesma proporção.


