Branco? Que nada, deu preto!
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sábado, 29 de dezembro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Branco, vermelho, amarelo ou dourado? Nenhuma das opções. Em tempos de virada de ano, o preto, historicamente relegado à condição de mero coadjuvante e sinônimo de luto, nas festas de final de ano, ganha espaço no competitivo mercado fashion.
A empresária Célia Cristina Patriarca apostou no segmento e abriu unma loja na Avenida Rio de Janeiro. E não se arrepende. Psicóloga, Célia, que residia em São Paulo, chegou a Londrina com meta fixa, atendendo ao anseio de jovens que sentavam em seu divã: comercializar a moda em preto, isto é, black.
O jovem, na busca de ser ele próprio, tenta ser diferente. É normal da idade. Após perceber isso, vi que em Londrina não havia nada no estilo. Decidi investir.
No início voltado ao público gótico, a loja sob o comando de Célia faz sucesso, nos recém-completados 10 meses de funcionamento, entre todas as tribos. Como o preto é uma cor que ninguém erra, ao vestir ou incorporar ao figurino, a loja se consolidou também entre executivas, senhoras de 60 a 70 anos e jovens. Aqui vem desde a adolescente à senhora de idade.
O inusitado, que se reverte em consolidação, entre a geral feminina, gerou apenas um temor, para a empresária: da patricinha à gótica, todas se dariam bem, sob um mesmo teto? Achei muito legal que não há conflitos. Meu público é bem eclético, temos evangélicos, católicos. Certa vez, estava com uma pessoa religiosa, outra repleta de tatuagens e uma que se dizia bruxa. Todas se deram muito bem e aquilo que estava, num primeiro momento, mais para confusão, acabou em harmonia. Não há distinção de estilos ou choques.
Às temerosas em usar o preto, na chegada de 2008, Célia dá a dica, como psicóloga. A questão é estar bem consigo. Não é todo mundo que consegue usar um preto, um vermelho ou um branco. A energia da pessoa que procura a cor. E não o contrário.
A constar: como empresária, Célia, que tem como campeões de venda os corpetes e espartilhos, é partidária dos europeus. Na Europa, as pessoas acreditam que, ao usar o preto na virada, tudo de ruim que lhes aconteceu durante o ano ficará no seu término. O preto não deixa a pessoa passar incógnita e está vinculado ao poder.


