Agência Estado
O Bradesco comprou ontem o Banco do Estado da Bahia (Baneb), em leilão de privatização no qual foi o único interessado, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O banco foi privatizado por R$ 260 milhões - valor 3,18% maior do que o preço mínimo de R$ 251,984 milhões, em leilão que durou apenas três minutos. O novo presidente do Baneb será o vice-presidente-executivo do Bradesco, Décio Tenerello.
Pelas regras da venda, com o ágio oferecido, o governo baiano vai criar um fundo para assumir indenizações por processos contra o Baneb, que ainda possam ser instaurados, contra atos praticados pela instituição quando era ainda estatal. O Bradesco, assim, eximiu-se de quaisquer novos pagamentos deste tipo, ao pagar o valor maior do que o preço mínimo, apesar de ter disputado o leilão sozinho, após o Itaú ter desistido de participar anteontem.
O presidente-executivo do Bradesco, Márcio Cypriano, afirmou que, com a compra, o banco assumiu o ‘‘total domínio’’ do mercado bancário baiano e confirmou sua liderança entre as instituições financeiras privadas nacionais. Segundo Cypriano e o presidente do conselho de administração do banco, Lázaro Brandão, o Bradesco passou a superar até o Banco do Brasil (BB) em número de agências na Bahia - apesar de ainda ter uma rede de atendimento menor do que o banco federal em todo o País.
Com R$ 75 bilhões em ativos, 64 mil funcionários e 3,4 mil pontos de atendimento, entre agências e postos, O Bradesco vai assumir, no dia 30, uma rede de 170 agências e 400 mil clientes, com 2,8 mil funcionários. Brandão alertou que este novo contingente não vai entrar nos cálculos do Bradesco para atingir a meta estabelecida para o ano 2000, de conseguir 10 milhões de contas correntes (atualmente o banco tem 6,5 milhões).
Os dois principais dirigentes do banco informaram que não planejam fazer cortes de gastos ou de funcionários no Baneb. ‘‘Se houver, futuramente, a reformulação do Baneb, será feita com todo o cuidado’’, informou Brandão. ‘‘Mas na primeira fase, a idéia do Bradesco é usar toda a força do Baneb’’, afirmou o presidente do Conselho de Administração do banco. Ele acrescentou que o banco baiano deve continuar a manter seu nome, assim como a fachada externa.Operação de compra levou apenas 3 minutos. Banco da Bahia foi vendido por R$ 260 milhões
Tasso Marcelo/Agência EstadoNegócio fechadoAlberico Mascarenhas, secretário de Fazenda, Paulo Viana, presidente do Baneb, o leiloeiro Alexandre Hunte, Maurício Antônio e Roger Angelli (do Bradesco) e o presidente da Bolsa, Carlos Reis

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