Bradesco anuncia lucro recorde
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaO presidente do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão: serviços lucrativosSÃO PAULO - O Bradesco divulgou ontem um lucro recorde na história das empresas privadas brasileiras: R$ 824,5 milhões (US$ 792,8 milhões), obtidos no ano passado. A rentabilidade do patrimônio líquido do banco (que mede o retorno sobre o capital investido pelos acionistas) ficou em 15,1%, a maior desde 89, quando atingiu 21,6%.
A média histórica de retorno do banco gira em torno Em 89, o país estava à beira da hiperinflação e os bancos ganharam muito dinheiro. No ano passado, o resultado ficou compatível (com a estabilidade da economia), afirmou Lázaro de Mello Brandão, presidente do Bradesco. Ele estima que um terço do lucro líquido (após os impostos) de 96 foi resultado de uma operação de venda ao Banco Central de créditos de cerca de R$ 1 bilhão contra o FCVS (Fundo de Compensação de Variação Salarial).
O FCVS é o mecanismo do Sistema Financeiro da Habitação que compensa as prestações dos mutuários conforme seus reajustes salariais. Outros bancos venderam créditos contra o FCVS para o Banco Central para utilização no Proer (programa de fortalecimento do sistema financeiro). Como o Bradesco havia feito reservas contra os calotes do SFH, a operação gerou um lucro antes dos impostos da ordem de R$ 400 milhões.
Outro aspecto importante no desempenho do banco é que 89% do resultado líquido proveio de lucros com as atividades de seguros e previdência privada, por equivalência patrimonial. Isso quer dizer que o banco ganhou apenas R$ 90,7 milhões com sua atividade clássica, a intermediação financeira - mesmo após incorporar os ganhos com a venda de FCVS. É verdade que a maior parte dos ganhos veio por equivalência patrimonial, mas não podemos esquecer que toda nossa rede está voltada para a venda de serviços. A atividade bancária tradicional está muito travada, afirmou Brandão.
O lucro também teve impacto da redução das reservas contras perdas de crédito, ocorridas à medida que os clientes inadimplentes acertaram as contas com o banco. Os créditos em liquidação (atraso superior a 60 dias) caíram de R$ 608 milhões em 95 para R$ 407 milhões (menos 33%). Com isso, as provisões foram reduzidas de R$ 977 milhões para R$ 661 milhões, mantendo-se no nível de cobertura de 162% da inadimplência.
Perguntado, Brandão consentiu que, se o mercado ajudar e o governo não atrapalhar com medidas restritivas, o lucro neste ano poderá beirar R$ 1 bilhão. Se dependesse de nosso desejo, sim. Mas as variáveis são muitas, disse.


