Bruxelas - O Brasil está entre os mercados de maior investimento em títulos na América Latina neste primeiro trimestre, segundo Marie De Grotte, economista responsável pelos países emergentes do Banco Fortis (Belga). Os bonds latino-americanos são os que mais estão respondendo às ''incertezas da economia internacional'', com alta de 11% nos três primeiros meses deste ano, enquanto os C-bonds do tesouro brasileiro aumentaram cerca de 20%.
Françoise Bernard, economista especialista em mercado financeiro, alerta que esses países emergentes, fortes produtores de commodities, também são os primeiros a sofrer e poderão causar ''grandes perdas'' em caso de eventual revés da economia global em direção a uma recessão. Por isso, segundo Bernard, é prematuro anunciar uma estabilidade em termos de investimentos para os emergentes. ''Os spreads são altos, mas a volatilidade também é muito grande'', diz.
Os títulos brasileiros vêm apresentando melhora desde setembro de 2002, quando o mercado ''aceitou que um possível governo Lula não seria um desastre econômico'', diz Marie De Grotte. A América Latina captou mais investimentos neste trimestre do que no mesmo período do ano passado, por causa das baixas taxas de juros norte-americanas, reforçadas por todas as incertezas do mercado global, ''sem expectativa de retomada''.
A América Latina e a Rússia estão captando mais investimentos em bonds desde a semana passada. O Equador, desde que obteve a carta de intenção para a assinatura do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em fevereiro, também vem atraindo investimentos. A procura também é grande por papéis de México e Chile.
A reação das bolsas, de alta na declaração da guerra e queda na semana seguinte, demonstra que ''ainda vamos viver flutuações fortes pela frente'', avalia Marie De Grotte, e essa situação pode render ao Brasil e países emergentes boas captações nas próximas semanas.

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