Rio de Janeiro - O álcool brasileiro pode fazer do País o maior fornecedor de biocombustível no mundo nos próximos dez anos, afirma a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Em livro sobre ''Biocombustíveis para o Transporte'', que acaba de lançar nos Estados Unidos, a IEA trata particularmente dos custos de produção do álcool no mundo e destaca o Brasil como tendo o maior potencial de oferecer o produto a um custo mais baixo.
''O custo menor do álcool de cana, em comparação com outros cultivos agrícolas, como o do milho nos Estados Unidos, por exemplo, eleva o País à condição de maior potencial exportador'', disse o pesquisador Carmen Difiglio, um dos coordenadores do estudo, que resultou no livro.
A perspectiva da IEA é de que até 2020 pelo menos 10% da gasolina consumida no mundo e 3% do diesel sejam substituídos por álcool. A maior parte deste volume, entre 60% a 70%, devem vir da cana-de-açúcar, dizem os especialistas. Isso porque o álcool proveniente do milho, cuja maior produção é dos Estados Unidos hoje, custa o dobro do álcool da cana-de-açúcar. O próprio Brasil enfrenta restrições para colocar o seu álcool no mercado norte-americano. Para cada metro cúbico, que poder ser vendido a US$ 150, são acrescidos US$ 140. ''Não há competição justa'', argumentou o diretor da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Antônio Pádua.
No Senado norte-americano, a defesa para manutenção deste subsídio é defendida pelo fato de que o etanol importado do Brasil competiria com a produção doméstica, que os congressistas estão tentando encorajar.
Segundo Pádua, o mercado consumidor dos Estados Unidos, entretanto, não é o maior foco do país na exportação do combustível. ''Este mercado pode ser absorvido pelo próprio etanol, vindo do milho e mesmo assim, a previsão para o Brasil é excelente, assim como para outros países que estão começando o plantio de cana atualmente, como a China e a Tailândia''. A perspectiva é de que o Brasil exporte em dez anos até dez bilhões de litros de álcool, ante os cerca de um bilhão exportados no ano passado e os cerca de 1,5 bilhão previstos para este ano.
Pádua ainda ressalta o fato de que o potencial previsto para a exportação de álcool na próxima década será essencialmente de carburante, enquanto do produto que hoje é vendido para outros países, apenas 30% tem atuação como combustível.
A IEA destaca como principais mercados consumidores o europeu e o Japão, além da China, que tem programas para incentivar a substituição de gasolina e diesel como forma de melhorar as condições ambientais.

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