As chances de a BR Distribuidora emprestar combustível para a Transbrasil retomar as operações são remotas. Juristas e advogados especializados em direito societário avaliam que a distribuidora corre o risco de ser questionada na Justiça caso conceda crédito à Transbrasil sem garantias seguras. A empresa tem capital aberto e poderia ser arguida judicialmente por acionistas que vislumbrem prejuízo para a empresa na eventualidade de a operação ser confirmada.
''A administração da Petrobras agiu de forma absolutamente correta porque os administradores têm de ser diligentes no que diz respeito aos interesses da própria empresa, como companhia aberta que é'', disse Francisco da Costa e Silva, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sócio do escritório de advocacia Bocater, Camargo, Costa e Silva. Na avaliação do jurista, ao fornecer o produto sem garantias absolutamente seguras de que vai receber o dinheiro, os dirigentes da empresa ''amanhã podem ser questionados''. O advogado Luiz Felizardo Barroso tem a mesma avaliação. ''Acho que é temerário, o administrador tem de se resguardar bem. Pode haver um questionamento no futuro, sim, e até pessoalmente'', disse Barroso.
Na última terça-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, havia se comprometido a repassar a proposta feita pela Transbrasil por um crédito à distribuidora, sem garantir, contudo, se o pedido seria aceito. Ontem, depois de um contato com a empresa de combustíveis, Amaral disse que seria difícil que a BR aceitasse o pedido. Segundo o ministro, o governo estuda formas para ajudar as empresas do setor. A ajuda, no entanto, vai depender da viabilidade das empresas. ''Não podemos colocar o dinheiro do contribuinte em uma causa perdida'', afirmou.

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