O governo conseguiu ontem, após duas tentativas, privatizar o Banco Meridional. Trata-se do primeiro banco oficial federal a ser vendido para o setor privado. Apesar dos problemas da instituição, o Banco Bozano, Simonsen, por intermédio de uma empresa especialmente criada em Cayman, a Goldener Inc., pagou R$ 265,6 milhões pelo Meridional, o que representou um ágio - surpreendente - de 54,97% sobre o preço mínimo, após uma disputa extremamente acirrada com o banco português Caixa Geral de Depósitos. Segundo o presidente do Bozano, Simonsen, Paulo Ferraz, a instituição vai pagar 90% da compra com moedas de privatização (títulos da dívida pública interna e externa - as chamadas moedas podres), tal como permitido no edital de venda.
O leilão, realizado na Bolsa de Valores do Rio, estava marcado para as 10 horas, mas somente pôde começar às 13 horas, após a cassação de uma liminar da Justiça Federal do Rio, que mandou suspender a operação. O presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, e o diretor de Fiscalização da instituição, Claudio Mauch, chegaram cedo à Bolsa, para assisitir ao leilão, mas somente se juntaram ao leiloeiro Alexandre Runte depois que a liminar foi cassada e o leilão pôde ser iniciado. Franco não quis conversar com jornalistas.
Havia três grupos inscritos para o leilão: o Bradesco, operando por intermédio da própria corretora, e, segundo informações do mercado, com a obrigação de comprar o Meridional pelo preçlo mínimo, caso não aparecesse outro interessado - este seria o pedágio que o Bradesco pagaria para ficar com o Banco de Crédito Nacional (BCN); o banco português Caixa Geral de Depósitos, operando por intermédio da corretora Dória & Atherino, e a Goldener, do Bozano, com a corretora Bozano.
O Bradesco abriu o leilão oferecendo o preço mínimo 80,66 reais pelo lote de mil ações do Meridional. A Bozano e a Dória subiram o preço, cada uma em 1 centavo, e daí em diante a Bradesco não deu mais lances. A disputa, intensa e emocionante, deu-se então entre os portugueses e o Bozano, que por todo o tempo deu respostas imediatas aos lances da Caixa Geral.
Os portugueses, que desde cedo se mostraravam ansiosos no pregão, foram tornando-se mais lentos nas respostas e deixaram clara a perda de fôlego quando o preço mínimo do lote por mil ações foi a 122 reais. Daí em diante, a cada lance do Bozano, eles conferenciavam e, por fim, liberavam o operador para fazer mais uma oferta. Depois, quando o preço mínimo por mil ações chegou a 125 reais, demonstrando desalento, o conselheiro do grupo Tomás Correia desligou o celular com o qual se comunicava com os assessores e mandou o operador desistir. Correia disse que a Caixa Geral, uma das maiores instituições financeiras de Portugal, continua interessada em consolidar uma boa posição no Brasil.

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