A sorologia positiva em cerca de 11% dos 209 animais da Fazenda Cachoeira, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), mostra que esses bovinos tiveram algum contato com o vírus da febre aftosa. A informação é do doutor em virologia Amauri Alfieri, professor da UEL. Segundo o especialista, esse ''contato'' não significa necessariamente que os animais tenham desenvolvido a doença. Eles podem ter se comportado como carreadores ou portadores do vírus e, nesse caso, a aftosa não necessariamente se alastra.
No último dia 6, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou um foco de aftosa no Paraná. A confirmação foi baseada em exames de sorologia (Elisa e ITB) e na origem dos animais, trazidos de Eldorado (MS), onde foram registrados os primeiros focos da doença. Segundo o Mapa, laudos do Lanagro indicaram que 22% dos 209 animais sob suspeita apresentaram reação positiva ao exame Elisa. Metade desse índice teve o diagnóstico confirmado no ITB, que analisa a presença de proteínas não estruturais do vírus.
''Se os resultados apresentados estão corretos, esse índice é alto e mostra que os animais tiveram contato com o vírus da aftosa'', afirma Alfieri. No entanto, os bovinos portadores do vírus podem não desenvolver a doença porque os animais são vacinados e ainda há a memória imunológica de cada cabeça. ''Nesses casos, a taxa de ataque do vírus é bem menor'', explica. Uma das principais argumentações dos técnicos paranaenses é que somente a sorologia pode acarretar resultado falso positivo, em animais vacinados.
Alfieri explica que resultados falsos realmente podem ser gerados nos exames de sorologia. Mas o índice aceitável seria menor que 2% positivo no rebanho. Jamil Gomes, do departamento de Saúde Animal do Mapa, lembrou que quando o Paraná foi decretado área livre de aftosa com vacinação, a certificação ocorreu apenas pelas análises sorológicas. ''Então quando é para o bem a sorologia é aceita. Quando é para o mal, ela não serve mais?'', questiona.
Alfieri comenta que anualmente a ®MDNM¯Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) exige exames de sorologia em todo o rebanho brasileiro. As coletas são feitas por amostragem, mas abrangem animais de todas as regiões do País de corte e de leite. Nesse caso, os resultados positivos podem ocorrer em até 2% do total dos animais analisados. ''O resultado é falso positivo em porcentuais mais baixos. Por exemplo, nas quatro fazendas que estão interditadas (Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá) somente dois animais apresentaram reação positiva na sorologia. É um índice de 1,8%'', lembra.
Isolamento - Para Jamil Gomes, o isolamento do vírus não é necessário para confirmar a doença em um rebanho. ''A Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) confirmou a sintomatologia dos animais, há a origem e os resultados sorológicos positivos. Não é preciso o isolamento do vírus (pelo exame Probang, que analisa o líquido esofágico-faríngeo), até porque é muito difícil isolar o vírus'', explica.
A informação é confirmada por Amauri Alfieri que diz que as chances de se isolar o vírus da aftosa em animais carreadores varia entre 46% e 47%. ''Por isso a OIE reconhece a sorologia positiva e o vínculo epidemiológico'', comenta. ''A insistência na realização dos exames Probang mostra que a Seab tenta se agarrar em alguma coisa, mas desafio alguém a provar que não tem aftosa no Paraná'', salienta Gomes.
Outro fato que, segundo ele, não está sendo levado em conta é que para a área ser considerada livre de aftosa é preciso que não haja atividade viral ou a circulação de vírus no Estado. Gomes afirma que somente esse fator já seria suficiente para confirmação do foco, uma vez que há exames sorológicos com reação positiva ao vírus da aftosa.

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