Bovespa vai na contramão e sobe. Dólar tem nova alta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De São Paulo 
A despeito das quedas das bolsas nos Estados Unidos e na Argentina, ontem a Bovespa manteve um ritmo regular de alta, para fechar com valorização de 1,88%. O volume financeiro, ainda que fraco, melhorou em relação a anteontem, somando R$ 370 milhões. O Ibovespa futuro com vencimento na quarta-feira da semana que vem caiu 0,19%, para 10.250 pontos.
O exercício de opções na segunda-feira acabou influenciando positivamente o mercado. Sobretudo Telemar foi alvo de embate entre titulares e lançadores da opção de compra a R$ 24,00. De todo modo, ponderam observadores do pregão, a relação titular/lançador é baixa em termos históricos, o que não sinaliza grandes somas envolvidas para o exercício - segundo dados de anteontem, esta relação estava em 422 para 259.
O fraco volume de negócios na Bovespa indica principalmente que sumiram os vendedores. ''Qualquer investidor pequeno vendido, que queira zerar sua posição, acaba puxando a Bolsa'', disse um profissional. Segundo ele, as eleições legislativas na Argentina, no domingo, poderão determinar mudanças pra valer na economia do país vizinho, porque o obstáculo político a eventuais rupturas estará superado. Até lá, vão sobrar declarações vagas, imprecisas e confusas como as feitas ontem pelos ministros Domingo Cavallo e Pedro Malan.
A Standard & Poor's, no entanto, decidiu que não vai pagar pra ver. Rebaixou o rating da dívida de longo prazo da Argentina de B- para CCC+ e manteve o outlook negativo para este indicador. O risco país da Argentina voltou a arranhar os 1.900 pontos e a Bolsa de Buenos Aires fechou em baixa de 0,63%. Em Nova York, a bolsa caiu 0,17% e a Nasdaq recuou 2,23%. A Bolsa de Tóquio recuou 1,90%.
O mercado de juros reduziu mais um pouco suas projeções de taxas futuras, ainda que o dólar tenha continuado sob pressão, os fundamentos econômicos permaneçam ruins e a Standard & Poor's tenha rebaixado o rating da dívida de longo prazo da Argentina.
Na BM&F, o contrato de DI futuro para 1º de janeiro, o mais líquido, fechou o dia com projeção de juros de 22,44% ao ano, de ontem ao vencimento, ante 22,66% de anteontem.
O dólar comercial retomou a alta ontem e encerrou vendido a R$ 2,782, com ganho de 0,40% sobre o fechamento de ontem. No mercado à vista de câmbio, o dólar comercial oscilou 0,72%, entre a mínima de R$ 2,765 (-0,22%) e a máxima de R$ 2,785 (+0,51%).
O Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) de setembro ficou em 0,38%, recuando em relação à taxa de 0,90% registrada em agosto, segundo divulgou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV) . No ano, o IGP-DI acumula alta de 7,81% e, em 12 meses, de 9,45%.


