SÃO PAULO - O mercado de capitais brasileiros esperou cerca de nove anos para ver a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechar com uma alta tão forte como a de ontem. As medidas para enfrentar a crise dos créditos ''subprimes'' trouxeram euforia para os investidores, que voltaram às compras, recuperando boa parte das perdas registradas na semana passada.
O Ibovespa, termômetro da Bolsa brasileira, avançou 14,66% no fechamento e atingiu os 40.829 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,24 bilhões. No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York valorizou 11,08%. Operadores notaram que, devido a um feriado local, Wall Street funcionou com restrições. Para muitos, a real sinalização de que os mercados americanos ''aprovaram'' as medidas deve ocorrer somente hoje.
Profissionais do mercado financeiro evitam falar em ''fim da crise'', mas sim, que ''boa parte da solução'' começou a ser equacionada. A aprovação do pacote de US$ 700 bilhões nos EUA trouxe parcos efeitos para acalmar os mercados porque investidores e analistas sentiam que, para problemas de dimensão global, era preciso uma ação coordenada dos governos das economias centrais.
Durante o final de semana, os governos europeus ''atenderam'' os pedidos do mercado financeiro e anunciaram uma série de medidas para enfrentar os desdobramentos da pior crise econômica dos últimos 80 anos, na visão de muitos economistas.
''O mercado ainda está muito volátil. Passou aquele pânico da semana passada, mas hoje (ontem) foi um dia muito eufórico, totalmente fora dos parâmetros'', comenta Marco Aurélio Etchegoyen, operador da corretora gaúcha Diferencial. ''O que nós podemos dizer é que a reunião deste final de semana deu uma sinalização muito positiva, no sentido de tentar restabelecer a confiança aos mercados'', sintetiza.
As ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale, também tiveram ganhos na casa dos dois dígitos: 12,08% e 13%, respectivamente.

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