Bovespa tem alta espetacular de 18%
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Agência Estado 
O mercado de ações pisou forte no acelerador e avançou mais 18,67% em São Paulo, a maior valorização em apenas um dia desde 10 de março de 1995. Nesse dia, a valorização foi de 25,62% e as ações se recuperavam dos tombos que se seguiram à adoção do sistema de piso e teto do dólar, a banda cambial. Apenas nos três últimos pregões, a Bolsa de São Paulo acumula uma rentabilidade nominal de 45,05%, tingindo de azul o desempenho em setembro. Desde ontem, o mercado de ações passou a carregar uma valorização de 6% no mês. A Bolsa de Nova York subiu 0,99%. A do Rio, subiu 15%.
A arrancada das Bolsas domésticas traduziu um evento, o leilão de privatização das Centrais Geradorasdo Sul do Brasil (Gerasul), e uma expectativa, que embora tivesse sido a mesma do dia anterior, foi cristalizada em números. Especulações davam conta de que o socorro financeiro em amarração pelos países mais ricos do Grupo dos 7 (G-7) poderia despejar uma bolada de US$ 100 bilhões na América Latina. O mercado passou a trabalhar mais alentado quando o porta-voz da Casa Branca, Mike McCurry, confirmou que o G-7 está estudando um plano para estabilizar algumas moedas latino-americanas. As demais Bolsas da região fecharam também com vistosas altas: a da Cidade do México, com 12,92% e a de Buenos Aires, 8,90%.
A impressão que o mercado passa é que aos poucos os investidores estão retomando a confiança no País. Segundo operadores, o volume de R$ 855,937 milhões na Bolsa paulista foi engordado com a participação de capital estrangeiro na compra. O fluxo cambial negativo também encolheu, de aproximadamente US$ 900 milhões no dia anterior para US$ 332 milhões.
Um dos fatores que contribuíram para reverter ligeiramente o pessimismo foi o leilão de venda da Gerasul. Num primeiro momento, as Bolsas reagiram com queda, porque o preço de venda, de R$ 945,773, foi o mínimo definido, sem ágio. Mas, nas circunstâncias de momento, teria feito diferença o nome do comprador, a megaempresa Tractebel.
A reação positiva com o leilão ficou espelhada também nas cinco maiores altas do Índice Bovespa (IBovespa), todas ocupadas por estatais do setor de energia elétrica.


