Bovespa tem a maior saída de investidores
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domingo, 29 de junho de 2008
Fabricio Vieira<br>Folhapress 
São Paulo - A recente promoção do Brasil a grau de investimento não foi suficiente para evitar a debandada de capital externo do mercado acionário local. Com o cenário internacional pouco favorável, o que se tem visto neste mês é a saída recorde de investimento estrangeiro da Bovespa -fator fundamental para explicar a queda expressiva sentida pelas ações brasileiras nas últimas semanas.
No dia 24, o saldo mensal das operações dos estrangeiros apontava saída líquida de R$ 7,4 bilhões -cifra recorde para um mês. Isso significa que nunca antes a diferença entre o volume de ações compradas e vendidas pelos estrangeiros foi tão grande. No balanço anual, que está com saldo negativo de R$ 6,64 bilhões, a situação é a mesma, sendo este, até o momento, o pior ano do real.
Esse movimento ajuda a explicar por que a Bolsa de Valores de São Paulo está com queda acumulada de 11,39% em junho, até anteontem, muito próxima de ter o seu pior mês desde setembro de 2002, quando caiu 16,95%.
Porém, naquele período, as incertezas em relação ao futuro do país, desencadeadas pelo processo eleitoral que elegeu o presidente Lula, deixaram os investidores mais avessos quando o assunto era aplicar em ativos brasileiros.
Agora, o cenário é bem distinto, com o Brasil promovido a grau de investimento por duas das maiores agências de classificação de risco do mundo. Em outras palavras, o Brasil nunca foi, aos olhos desses avaliadores internacionais, tão seguro para se investir.
Como o capital externo é responsável por cerca de 35% de toda a movimentação da Bovespa, o fato de essa categoria de investidor estar vendendo ações de forma expressiva não tem como passar despercebido.
''Há um cenário global complicado desde meados do ano passado, quando começou a crise do ''subprime', que depois se espalhou. Nunca confiei na hipótese de o Brasil ter conseguido se descolar do cenário externo. E o que vemos agora é que a contaminação era questão de tempo'', afirma o economista Luis Fernando Lopes, do Pátria Investimentos.
''Com o aumento da aversão, os estrangeiros buscam zerar suas posições aqui para mandar dinheiro para fora. O mês de junho tem sido particularmente ruim. Não é um padrão, mas o ambiente é difícil, com muito mais risco'', diz o economista.


