Bovespa tem a maior queda desde o 11 de setembro de 2001
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - O temor de um risco sistêmico com o pedido de concordata do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch para o Bank of America, além dos problemas enfrentados pela seguradora AIG, promoveram uma fuga do risco nos mercados globais. As bolsas desabaram pelo mundo e, no Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tomou o maior tombo porcentual em mais de sete anos. O dólar e os juros futuros dispararam.
O Ibovespa perdeu 7,59%, a maior queda desde 11 de setembro de 2001, quando havia recuado 9,17%. Em pontos, a Bovespa retornou aos 48 mil pontos, para 48.416,33 pontos. Na máxima do dia, registrada na abertura, o índice operou praticamente estável, aos 52.386 pontos (-0,01%) e, na mínima, tocou os 48.409 pontos (-7,60%). No mês, a Bolsa acumula perdas de 13,05% e, no ano, de 24,21%. O giro financeiro somou R$ 6,570 bilhões, dos quais R$ 1,167 bilhão são do vencimento de opções sobre ações.
O Dow Jones recuou 4,42%, aos 10.917,51 pontos, o S&P teve baixa de 4,71%, aos 1.192,69 pontos, o Nasdaq fechou em -3,60%, aos 2.179,91 pontos. As perdas foram ampliadas no finalzinho da sessão com a queda livre do setor financeiro e fraqueza das ações de energia. ''A crise financeira se tornou 'sistêmica''', disse Richard Bernstein, estrategista-chefe de investimentos do Merrill Lynch. ''Para a economia, significa que ficou mais difícil tomar empréstimos. É o aperto no crédito.''
Os investidores se refugiariam nos Treasuries norte-americanos, com preços em alta e, consequente queda nos juros. O T-Note de 2 anos foi o mais procurado, com os juros tombando 21,19%. Esse recuo é explicado também porque os investidores passaram a precificar um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve amanhã, com 66% de chances, de 2% para 1,75% ao ano.
Na visão de operadores do mercado do segmento cambial, o dólar teve até uma trajetória comportada hoje, tendo em vista o desempenho da Bovespa. Mas diante do ambiente de aversão ao risco, não tinha como o real não sofrer. E foi uma aversão tanto do lado financeiro como corporativo, disse um operador.
O dólar no balcão subiu 1,85%, a R$ 1,8140. Na BM&F, o pronto avançou 1,46%, a R$ 1,8070. ''O Lehman listou dívidas de US$ 613 bilhões. O mercado está desconfiado de até onde isso está espalhado e quais os efeitos'', disse um operador.
A tensão também afetou os juros, cujos futuros de longo prazo, negociados na BM&F, encerraram em alta, enquanto os contratos curtos, até janeiro de 2010 fecharam em queda, alimentados pelos sinais de que o Banco Central (BC) terá espaço para desacelerar o ritmo de aperto monetário antes do que o mercado imaginava. O DI de janeiro de 2010 (274.210 contratos) encerrou em 14,63%, de 14,64% na sexta-feira, enquanto o DI janeiro de 2009 (171.685 contratos) caiu de 14,03% para 13,99%. O DI janeiro de 2012, com 76.785 contratos, avançou de 14,14% para 14,29%.


