Bovespa tem 4ª maior queda da história
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O mercado financeiro brasileiro viveu uma segunda-feira de pavor, arrastado por uma nova onda de quedas nas bolsas de valores do mundo todo. A Bolsa de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia com um tombo de 14,9%. Foi a quarta maior queda na história do índice Ibovespa, criado em 1968, e a maior desde o Plano Collor, lançado em 21 de março de 90. Em apenas três pregões a queda em São Paulo atingiu 24,23%. Na Bolsa do Rio (BVRJ) a baixa foi de 13,9%, a terceira maior da história do índice IBV.
A queda em cadeia começou novamente pela Bolsa de Hong Kong, que caiu 5,79% e puxou para baixo os demais mercados. A Bolsa de Paris caiu 2,79%, influenciada também pela baixa do dólar frente às principais moedas européias. Em Londres a bolsa fechou com -2,61% e em Frankfurt, com -4,2%.
Às 17 horas, quando o mercado brasileiro fechou, o índice Dow Jones em Nova York despencava mais de 300 pontos. Pouco depois, a desvalorização em Wall Street superou os 350 pontos e os negócios foram interrompidos por meia hora. Também na Cidade do México houve suspensão do pregão. No fechamento, Nova York ficou em -7,18% e a maior queda em pontos de sua história (-554), México caiu 13,3%.
A Bolsa de Valores argentina fechou com queda de 13,73%, a maior desde a implantação, em 1991, do plano de convertibilidad (o modelo cambial em que o valor de um dólar equivale ao de um peso). índice Merval ficou abaixo da barreira de 700 pontos, fechando a 680 pontos. Mais de 20 empresas que compõem o índice caíram 15%. A queda não respeitou nenhum critério econômico: a retração atingiu empresas nas áreas de telecomunicações, petróleo, eletricidade, entre outras.
A drástica baixa nas bolsas brasileiras deve-se, segundo operadores, à venda desenfreada de ações por investidores apavorados com a insegurança do mercado acionário no mundo todo. Também pode ser creditada à retirada de investimentos estrangeiros, que são carreados para cobrir prejuízos em mercados de outros países. Paralelamente, há o que os analistas chamam de vôo para o porto seguro dos Treasuries bonds norte-americanos.
A última crise de pânico no mercado acionário ocorreu no dia 10 de janeiro de 1995, quando a Bovespa perdeu 9,86% com os desdobramentos da crise cambial mexicana e o temor do efeito tequila. Quando da confusa adoção do regime de bandas cambiais pelo governo brasileiro, a bolsa paulista recuou 9,64% no dia 8 de março de 1995 e 9,52% no dia 9. Em 1997, a Tailândia pregou sustos em 15 de julho, fazendo o Ibovespa perder 8,51%. E, finalmente, a crise em Hong Kong provocou perda de 8,15% na praça paulista na quinta-feira passada.
O mercado cambial não escapou do pânico. Os investidores no chamado hedge apostaram numa alta da moeda norte-americana em relação ao real e fecharam contratos de câmbio futuro na Bolsa de Mercadorias e Furutos (BMF) com altas de 0,22% (novembro), 0,39% (dezembro), 0,48% (janeiro) e 0,59% (fevereiro).
A instabilidade atingiu também o mercado de títulos da dívida externa. Os títulos C-bond e Par bond caíram 15,26% e 5,10%, respectivamente, ambos para 69,750 centavos de dólar no mercado de Nova York. A queda reflete a incerteza quanto à manutenção dos investimentos estrangeiros no Brasil e à resistência da economia brasileira diante de eventuais sangrias de dólares dos cofres do Banco Central.


