A bolsa de valores brasileira atingiu nesta segunda-feira (18) a marca histórica dos 100 mil pontos, alavancada pela expectativa do avanço nas reformas pró-mercado prometidas pelo governo de Jair Bolsonaro. O Ibovespa superou a barreira imaginária às 14h42, chegando a 100.037 pontos, mas depois perdeu terreno e fechou a 99.993 pontos, com uma alta de 0,86%.

Desde 1º de janeiro, o índice registra um aumento de mais de 13%. O dia não apresentou nenhum dado positivo em particular, dizem os analistas, e houve até mesmo entre os investidores uma redução nas expectativas do crescimento econômico do Brasil em 2019.

Mas, de acordo com Alex Agostini, consultor da Austin Rating, o fraco crescimento econômico "aumenta a aposta na redução das taxas de juros" neste ano, que direcionaria o dinheiro para o mercado de ações, em detrimento das aportes em renda fixa.

O Ibovespa bateu uma dúzia de recordes históricos no primeiro mês do governo de Bolsonaro, dada a perspectiva de cortes orçamentários e privatizações prometidas por seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Em seguida, sofreu um revés devido a tensões políticas dentro do governo.

Gabriel Vansolini Soldado, sócio e assessor de investimentos da Bravus (escritório credenciado da XP Investimentos), afirmou que a tendência de alta deve continuar, principalmente se a reforma da Previdência for aprovada, o cenário institucional ficar mais confiável e forem realizadas outras reformas e privatizações. “Em dezembro do ano passado, estava rondando (Ibovespa) em torno dos 85 mil pontos. É uma variação bem expressiva que tende a continuar”, disse e completou que, segundo a área de análise da XP Investimentos, pode chegar até os 125 mil pontos.

“É uma marca histórica considerando que em meados de 2016 tínhamos um Ibovespa aos 37 mil pontos. É uma recuperação de expectativa de uma economia mais saudável”, afirmou Soldado.

Para Felipe Silveira, analista de investimentos da Coinvalores, atingir os 100 mil pontos mostra que os investidores estrangeiros estão mais otimistas com o Brasil em médio e longo prazo.

Em curto prazo, para Silveira, a perspectivas de juros mais comportados nos Estados Unidos, a sinalização positiva das negociações entre o governo americano e a China e os juros mais baixos no Brasil favorecem o movimento de alta no mercado de ações.

Durante a semana este viés de alta vai depender de notícias positivas sobre a reforma e do resultado da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) com a nova equipe do Banco Central. “Vamos ver até que ponto isso vai ser suficiente para engatar um rali mais forte”, questiona o analista.

CÂMBIO E JUROS

A moeda americana fechou em queda de 0,76%, cotado em R$ 3,7914, o menor valor desde 1º de março. Profissionais de câmbio ressaltam que a moeda acompanhou aqui o enfraquecimento do dólar no mercado internacional.

Os juros futuros se firmaram em baixa ao longo da tarde. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,355%, de 6,380% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 6,971% para 6,92%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,00%, de 8,062% no ajuste de sexta-feira. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou de 8,592% para 8,54%. (Com Agências)

mockup