Bovespa sobe 4,84% e bate novo recorde
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terça-feira, 06 de janeiro de 2004
Márcia Pinheiro, Silvana Rocha e Lucinda Pinto<br>Agência Estado 
São Paulo- Nem pensar em trégua. O Ibovespa voltou a bater nível recorde ontem, ao fechar em alta de 4,84% e alcançar 23.531 pontos. O volume financeiro esteve longe do comedimento: somou R$ 1,432 bilhão. O C-Bond chegou a tocar 99,5 centavos de dólar e o risco Brasil recuou para próximo de 420 pontos-base, o menor nível desde outubro em 1997. Em Nova York, às 18 horas, o Dow Jones valorizava-se 1% e a Nasdaq subia 1,7%.
Dois tipos de participantes esquentaram os negócios no pregão paulista. Os estrangeiros continuaram embalados na onda de perder o medo do risco. A aversão é mínima, sobretudo porque o governo Lula cansou de provar que não é dado a rompimento de contratos. Além destes parceiros, o ''efeito ranking de 2003'' está seduzindo as pessoas físicas. Mesmo com a estupenda valorização de 97% no ano passado, as perspectivas de crescimento econômico doméstico e global sugerem que há espaço para os preços das ações avançarem.
Os papéis favoritos foram das siderúrgicas, que continuam a subir por causa da expectativa de maior demanda interna e também de exportações, principalmente para a China.
Acesita PN disparou 13,14%, após 1.391 negócios, também porque fundos passivos se mantiveram em busca da ação, uma vez que passou a ter peso de 1,063% no Ibovespa, ante 0,65% que vigorava até dia 30 de dezembro. A companhia anunciou ainda uma captação externa de US$ 125 milhões, com prazo de três anos e um de carência. Também do setor siderúrgico estiveram no ranking do Ibovespa Siderúrgica Tubarão PN (10,25%), Usiminas PNA (9,88%) e Gerdau PN (8,75%). Braskem PNA, o hit de 2003, continuou ganhando terreno e subiu 8,35%. Em 12 meses, a valorização do papel é de nada menos que 568,09%.
Apenas duas ações do índice teórico paulista fecharam em queda. Foram Light ON, com perda de 1,65%, e Souza Cruz ON, queda de 1,12%. Fora do Ibovespa, Perdigão e Sadia foram novamente bem demandadas, ainda como resultado da vaca louca nos Estados Unidos. Os papéis preferenciais da Perdigão fecharam em alta de 8,26% e os da Sadia subiram 2,50%.
CÂMBIO - O Banco do Brasil voltou à cena para dar liquidez ao mercado e conter a queda livre do dólar, depois de uma atuação mais discreta na segunda quinzena de dezembro. Mesmo assim, o ''pronto'' encerrou perto da mínima, em baixa de 0,87%, a R$ 2,854 - nível mais baixo desde 3 de novembro.
A migração mais forte de capital de investidores externos para os papéis da dívida brasileira deu fôlego à disparada do C-Bond para novo nível histórico e à queda do risco Brasil, que ajudaram a manter o bom humor do mercado. Também houve entradas financeiras e pelo câmbio comercial e apenas parte do fluxo de recursos estrangeiros para a Bolsa paulista hoje teria favorecido a queda do dólar, já que grande parcela desse dinheiro já estaria no País, afirmou um operador.


