Tudo favoreceu a Bovespa ontem. As bolsas dispararam em Nova York, há expectativa de desfecho breve para o swap argentino e chance de não haver apagões no Brasil no início do racionamento de energia. O Ibovespa fechou em alta forte de 3,42%, para 14.714 pontos. O volume financeiro somou R$ 622 milhões. O Ibovespa futuro avançou 3,71%, para 14.810 pontos.
De Buenos Aires, houve a confirmação de que o presidente Fernando de la Rúa já assinou o decreto de swap de dívida, que poderá atingir US$ 25 bilhões, acima da média das expectativas, que era de US$ 20 bilhões. Aliviada, a Bolsa de Buenos Aires subiu 2,56%. Outro fator externo favorável foi o índice de preços ao consumidor dos Estados unidos (CPI), que ficou em 0,3% no mês de abril, abaixo da estimativa de alta de alta de 0,5%. Respondendo ao número, o índice Dow Jones cravou um salto de 3,16%, situando-se acima dos 11 mil pontos pela primeira vez desde 14 de setembro do ano passado. A Nasdaq avançou 3,88%.
No Brasil, houve informações extraoficiais de que o racionamento de energia elétrica não deverá contemplar apagões num primeiro momento, apenas imposição de cotas e tarifas mais elevadas para os infratores. Esta possibilidade foi festejada pelos investidores, por ter menor potencial de desestabilização da economia e por implicar dano político mais limitado ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
As boas notícias provocaram um recuo técnico do dólar, após três dias úteis de sucessivas altas recordes do real. No fechamento, o comercial foi vendido a R$ 2,319, em baixa de 0,94%. Operadores de mesas de câmbio disseram que se for esse mesmo o volume da troca o governo argentino terá caixa para honrar seus compromissos por um bom tempo. A operação também poderá dar fôlego para o governo do país vizinho encaminhar outras medidas necessárias para a retomada do crescimento econômico. Se tudo der certo dessa forma, haverá espaço para o recuo do dólar.
A queda da moeda ontem, no entanto, foi considerada insignificante, se comparada à alta de 5,83% contabilizada nos últimos sete dias úteis, afirmou experiente operador de mesa de câmbio. Como esse ligeiro ajuste de preço não indica tendência alguma, o dólar deve continuar oscilando de acordo com o humor do noticiário interno e externo.
(Márcia Pinheiro, Mario Rocha e Silvana Rocha)

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