Bovespa se descola de NY e sobe 1,81%
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
<br> Agência Estado 
São Paulo - A decisão do governo norte-americano de ''pegar o touro pelos chifres'', nas palavras do analista de um banco estrangeiro, e injetar US$ 250 bilhões para capitalizar os bancos não foi suficiente para garantir nova alta nas bolsas em Nova York, o que acabou contaminando o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Diferentemente dos pregões em Wall Street, o mercado paulista conseguiu recuperar o viés de alta no final da sessão e encerrar em território positivo - embora longe das máximas do dia. O Ibovespa subiu 1,81%, aos 41.569,03 pontos, após ter disparado 7,16% no início do dia. O dólar à vista recuou 2,29%, a R$ 2,092 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), e 1,78%, a R$ 2,102 no balcão.
Após vários governos europeus tomarem medidas no sentido de injetar capital nas instituições financeiras de seus países, ontem foi a vez de autoridades dos Estados Unidos anunciarem que utilizarão até US$ 250 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso para adquirir participação em instituições financeiras, numa tentativa de dar novo fôlego ao setor bancário e combater a crise de restrição ao crédito. Os bancos têm até 14 de novembro para decidir se participarão do programa de compra do Tesouro.
Além disso, em caráter extraordinário, a Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês) garantirá temporariamente as dívidas privilegiadas - que têm prioridade de pagamento - de todas as instituições cobertas pela FDIC, assim como contas bancárias que não rendem juros. E o Fed informou que a partir do dia 27 seu programa de linha de financiamento de commercial paper financiará compras desses títulos com vencimento em três meses de emissores de alta qualidade. As compras vão durar até 30 de abril de 2009.
Tais notícias ampliaram os ganhos nas principais bolsas internacionais, que já haviam começado a terça-feira de bom humor. A Bolsa de Tóquio terminou com valorização recorde de 14%. Na Europa, os principais índices acionários encerraram em alta, embora longe das máximas. O londrino FTSE 100 subiu 2,97%. O CAC-40, de Paris, avançou 2,75%. Em Frankfurt, o DAX encerrou a sessão com valorização de 2,70%.
Em Wall Street, apesar da recepção positiva às notícias, os índices oscilaram, encerrando no vermelho. O Dow Jones caiu 0,82%, o S&P-500 cedeu 0,53% e o Nasdaq Composite perdeu 3,54%.
A ampliação das perdas em Nova York no meio da tarde levou a bolsa paulista ao território negativo, passando a oscilar sem uma direção única na sequência. ''É natural alguma correção hoje (ontem) no mercado brasileiro, tendo em vista a alta de ontem (anteontem)'', disse um operador, avaliando que era tranquilo o quadro nas operações domésticas.
No encerramento dos negócios em São Paulo, as altas no Ibovespa foram lideradas por Aracruz PNB (+15,34%), VCP PN (+13,99%) e Sadia PN (+13,62%). No outro extremo: BM&FBovespa ON caiu 5,20%, CSN ON perdeu 4,69% e Duratex PN caiu 3,79%. No caso das blue chips, Petrobras PN subiu 1,49% e Petrobras ON aumentou 1,16%. Nem a queda dos preços do petróleo impediu a continuidade da correção dos papéis da estatal. Na Nymex, o contrato para novembro da commodity caiu 3,15%, para US$ 78,63. Vale PNA aumentou 0,87%, mas Vale ON desvalorizou-se 1,59%.
O setor bancário manteve os ganhos fortes: Bradesco PN subiu 5,15%, Itaú PN aumentou 3,79%, Banco do Brasil ON avançou 6,45% e Unibanco units apreciou-se 1,82%. As ações de empresas do setor elétrico também registraram ganhos expressivos: Eletrobras PNB ganhou 4,11%, Eletrobras ON aumentou 3,46%, Celesc PNB +4,11%, Cemig PN +4,61%, Light ON +7,18%, Eletropaulo PNB +6,69%e Cesp PNB +0,62%.


