Bovespa reverte queda e sobe 3,30%
Preços baixos dos papéis teriam atraído investidores. Analistas acham prematuro prever tendência de alta
Agência Folha
A Bolsa de Valores de São Paulo, depois de chegar a cair 4,93% por causa da crise russa e da queda em Nova York, terminou o dia com alta de 3,30%. A Bolsa do Rio fechou o pregão com alta de 2,85%. O pronunciamento de FHC, pela manhã, foi insuficiente para animar o mercado de ações, que estava com toda a sua atenção voltada para a alta nos juros na Rússia e na queda de mais de 1% em Nova York. Os temores de um crash global cresceram. A cotação dos títulos da dívida externa renegociada dos países emergentes, como Brasil e Rússia, despencou.
Mas foi justamente nesse mercado, no meio da tarde, que a recuperação começou. Alguns analistas falam da intervenção direta do governo brasileiro; outros acreditam que os papéis simplesmente chegaram a um patamar baixo demais - 74,38% do valor de face, no caso do C-bond, o título mais negociado. Há ainda aqueles que acreditam numa inversão de expectativas com a estabilização em Nova York, afastando a possibilidade de crash.
Para o gerente de Investimentos do Banco Sudameris, Eduardo Santalúcia, não se pode prever tendência de alta. Segundo ele, foi especialmente o baixo nível de preços de alguns papéis que, efetivamente, convenceu o investidor a retornar às Bolsas na ponta de compra. Telebrás pn, o carro-chefe do pregão, por exemplo, chegou a ser cotada por R$ 112,00, e muitos aplicadores perceberam a possibilidade de obter lucro no curto prazo, ao adquirir uma ação de grande liquidez (altamente negociada) a preço baixo. No final do dia, Telebrás pn foi negociada por R$ 123,00, apresentando uma variação de 9,8% em um só dia.
Há consenso entre os analistas que o governo interveio no mercado de ações brasileiro por intermédio das fundações e da BNDESPar, comprando as ações mais importantes. Após o pontapé inicial do governo, houve grandes ordens de compra, inclusive por parte de estrangeiros. O volume de papéis negociados cresceu, chegando a R$ 906,409 milhões, contra R$ 637,194 milhões ontem. As ações da Telebrás subiram 4,65%.
Os títulos da dívida externa fecharam em alta, passando de 76,5% do valor de face no fechamento de anteontem para 77,76%, ontem. A Bolsa de Nova York se recuperou à tarde e fechou quase estável - queda de 0,3%.
Analistas do Morgan Stanley Dean Witter acreditam que a Bolsa de Nova York está sobrevalorizada em 15% e ainda tem espaço para cair. Mas descartam a possibilidade de um crash. O Brasil, segundo analistas, está preparado para subir mesmo com Nova York em pequena queda, como ocorreu ontem. Mas para uma alta sustentada no mercado brasileiro seriam necessários sinais positivos vindos da Rússia.

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