Bovespa reflete nervosismo e fecha com forte queda
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Folhapress 
São Paulo - A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou forte queda na jornada de ontem, em meio à expectativa dos mercados quanto aos planos do governo americano para enfrentar a pior recessão dos últimos 70 anos. O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, desabou 4,76% no fechamento, aos 39.846 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,28 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York, que recuou mais de 3%. As Bolsas europeias concluíram os negócios com quedas da ordem de 3%.
O mercado pouco reagiu à sanção presidencial do pacote anticrise de US$ 787 bilhões, assinado ontem pelo presidente Barack Obama. E prevaleceu o temor quanto à delicada situação das montadoras, à beira da falência, e dos bancos, atolados nos chamados ''ativos tóxicos'' (créditos problemáticos). ''(A aprovação do pacote) foi uma notícia já bastante negociada pelas Bolsas na semana passada. O que importa é que prevalece o sentimento de mercado sobre a piora do nível de atividade da economia em geral'', avalia Ronaldo Zanin, gestor da Advisor Asset Management.
''Há um vaivém entre a melhora das expectativas, quando saem notícias sobre os pacotes governamentais, e uma piora, quando surgem mais dados que mostram a deterioração da economia global'', acrescenta. Entre as principais notícias do dia, a rede varejista americana Wal-Mart reportou lucro de US$ 3,79 bilhões (US$ 0,96 por ação) no trimestre encerrado no dia 31 de janeiro, contra US$ 4,09 bilhões (US$ 1,02 por ação), apurado no mesmo período de 2008. Analistas do mercado projetavam lucro de US$ 0,99 por ação.
A montadora alemã Daimler anunciou prejuízo líquido de 1,526 bilhão de euros no quatro trimestre (cerca de US$ 1,919 bilhão). Trata-se do primeiro resultado negativo da empresa num trimestre desde que vendeu a marca Chrysler, em 2007. Também ontem a Eurostat - a agência europeia de estatísticas - informou que a zona do euro registrou em 2008 o maior déficit comercial de sua história, de 32,1 bilhões de euros (US$ 40,5 bilhões). Em 2007, a balança comercial da zona do euro havia registrado um excedente de 15,88 bilhões de euros (US$ 20 bilhões).
No front doméstico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que as vendas no setor varejista cresceram 9,1% em 2008, na comparação com o ano anterior. Em dezembro, no entanto, o comércio teve queda de 0,3% e, no quarto trimestre, a queda foi de 2,3% na comparação com o terceiro. Trata-se da terceira queda mensal consecutiva.


