Curitiba - Atrair pequenas e médias empresas interessadas em captar recursos para a abertura de capital na Bolsa é o desafio atual da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (Bovespa). Até o final de 2014, a meta é aumentar por volta de 50% a carteira atual de 467 empresas, conquistando a adesão de cerca de mais 200 empresas de todo País, que já teriam potencial para começar o processo de abertura de capital.
Para chegar a esses números, a Bovespa volta a atenção para os mercados fora do eixo Rio-São Paulo. Hoje, das 467 empresas listadas na Bolsa, só 156 são de outros estados, sendo 16 do Paraná. ''Estamos fazendo um trabalho forte fora desse eixo, porque o principal fator para que uma empresa vá para a Bolsa é a informação. Ela precisa entender como funciona para daí tomar a decisão de ir'', explica Cristiana Pereira, diretora de Desenvolvimento de Empresas da Bovespa, que participou ontem de manhã de um seminário sobre o assunto, na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Em todo Brasil foram identificadas 15 mil empresas com perfil para ir à Bolsa, ou seja, com pretensão de captar entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões e faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões. Dessas, no entanto, só 200 têm pré-requisitos necessários. ''Se a empresa não tem auditoria, não tem controle, não tem governança, vai demorar muito tempo para poder abrir o capital. Essas 200 já têm um processo em andamento, devendo domorar até três anos para abrir capital'', explica.
A Bovespa também traçou uma estratégia para apoiar o empreendedor, aquele que tem uma boa idéia, mas não tem recursos para investir no seu projeto. Por meio de parcerias com incubadoras e parques tecnológicos, a Bolsa quer difundir entre esses futuros empresários conhecimentos sobre o mercado financeiro e gestão.
''Muitas vezes o empreendedor tem o conhecimento técnico, mas não conhece nada de administração, mercado financeiro, recursos humanos. Nós vamos ajudá-lo a conhecer e entender o mercado financeiro, saber como se estruturar como governança, como olhar para o mercado do investidor, como se relacionar com potenciais investidores, como o Investidor Anjo, quando está começando, o investidor de capital-semente, quando já é um pouco maior'', exemplifica.
Rede de investidores
No Paraná, a Fiep está constituindo uma rede de Investidores Anjos. Segundo Wikings Marcelo Machado, da Secretaria Internacional de Inovação da Federação, a idéia é sensibilizar empresários de sucesso sobre as vantagens de investir em empresas nascentes e fazer uma espécie de banco de dados com empreendedores e investidores interessados. Esse tipo de iniciativa, explica, é bastante popular nos Estados Unidos e Europa.
''A Fiep já faz faz um trabalho forte para intermediar o relacionamento entre o investidor e a empresa nascente. Muitas empresas que abriram capital passaram por um processo de investimento de um investidor privado. Foi o que deu consistência e governança para eles ao longo do processo até chegarem em um patamar maior e mais sólido'', diz ele.
Mais informações: www.quersersocio.com.br

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