São Paulo – A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) começou o ano bem, com alta de 5,55% em apenas três pregões. Na quinta-feira passada, registrou o maior nível em mais de seis meses ao subir 2,83% em um único dia.
Uma corrente de administradores de fundos afirma que os bons ventos podem continuar soprando na Bolsa nos próximos dias, mesmo que surjam vendas para realização de lucros, como aconteceu na última sexta-feira.
Naquele dia, a Bolsa caiu quase 1%. Mas, no meio do pregão, o movimento de venda foi substituído por um ímpeto comprador e acabou fechando com quase 0,5% de alta. ‘‘Com essa alta é factível esperar realização de lucro, como no último pregão, e ainda assim continuar a subir, confirmando o suporte de 14 mil pontos’’, diz o diretor da HSBC Corretora de Valores, Sylvio Rocha.
Apesar de atento ao constante trinômio de preocupações – recuperação americana, crise argentina e câmbio –, parte do mercado continua otimista.
‘‘A percepção do risco-Brasil melhorou muito em relação a alguns meses atrás. Clientes, principalmente institucionais, com carteiras antes muito concentradas em renda fixa, sinalizam predisposição para a compra de ações, assim como investidores estrangeiros’’, diz Rocha.
Mas, escaldados, analistas ficam com o pé atrás ao lembrar das róseas previsões do início do ano passado que não se confirmaram. A equipe da corretora do HSBC estima que a Bolsa feche 2002 com 17.500 pontos.
‘‘Acho prematuro o cenário de céu de brigadeiro que vem sendo pintado para a Bolsa em janeiro’’, afirma Antônio Milano, da corretora Fator Doria Atherino.
Para ele, a queda de juros no Brasil e o reaquecimento dos EUA podem não vir como se espera, além de o câmbio já ter dado sinal de alta na sexta-feira passada.

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