Bovespa pode ter liquidez menor esta semana
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Agência Folha<br>De São Paulo 
Em ritmo de Natal, a liquidez da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pode encolher ainda mais nos próximos dias. A volatilidade, por sua vez, deve crescer. Esta é a expectativa de uma corrente majoritária de analistas.
Eles afirmam que, além do feriado da próxima semana, as indefinições quanto à Argentina e à recuperação econômica nos Estados Unidos só contribuem para enfraquecer o giro financeiro no mercado.
A Bovespa voltou a apresentar tendência a acompanhar o mau desempenho das Bolsas norte-americanas e a ter a volatilidade característica dos mercados emergentes.
Notícias ruins da Argentina, ao contrário, não têm tido impacto sobre os negócios. O mercado, entretanto, continua a temer uma ruptura institucional no país. Analistas afirmam que a retomada do mercado de ações depois dos atentados de 11 de setembro foi rápida demais para uma economia em desaceleração.
''O risco de a recuperação dos EUA demorar mais do que se espera é maior do que o que está embutido no preço das ações'', diz Reinaldo Le Grazie, diretor de tesouraria do Lloyds TSB.
Para a equipe do banco, o grande debate no mercado ainda é se o reaquecimento virá no segundo trimestre de 2002. Se até março não surgirem sinais de recuperação, as Bolsas dos EUA podem entrar em processo de queda. Antes disso, porém, a queda de liquidez, que é mundial, pode penalizar os mercados.
''Até o final do ano, poderá ocorrer mais uma realização de lucros'', diz Pedro Thomazoni, do Lloyds TSB. Com o crescimento da volatilidade, o mercado tende a assumir posições neutras. ''Quem ganhou dinheiro vai reduzir apostas. Os investidores muito otimistas e muito pessimistas vão voltar a ser neutros. E o que mexe o mercado é a saída de todos da neutralidade'', afirma Jacopo Valentino, diretor da BNP Paribas Asset Management.
Para Valentino, o Réveillon traz um novo ânimo. ''O pessoal tende a ficar mais otimista no início de ano.'' Thomazoni concorda: ''é provável que os norte-americanos fiquem otimistas no começo do ano. O mercado deve fazer uma pausa no curto prazo e voltar com mais liquidez em janeiro.''
Analistas afirmam acreditar que o Banco Central manterá a taxa básica de juros em 19% ao ano na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para amanhã e quarta-feira.
''Não espero corte da taxa Selic nem em janeiro. A inflação ainda está muito pressionada'', diz Thomazoni. Para outra corrente de analistas, entretanto, a redução da taxa seria decisiva para uma nova forte alta da Bolsa já no primeiro mês de 2002.


