Bovespa perde pouco com vendaval dos EUA
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sexta-feira, 19 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O mercado brasileiro foi obviamente afetado pelo tombo das Bolsas americanas, mas a expectativa positiva em relação à visita ao País da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, impediu maiores estragos. A Bolsa paulista suportou a pressão de Wall Street durante quase todo o dia, e só começou a recuar com mais força no fim do pregão, quando o Dow Jones chegou a cair mais de 5%. O Ibovespa encerrou os negócios em baixa de 2,12%.
Os outros mercados, por sua vez, tiveram um comportamento razoável: o dólar, por exemplo, subiu 0,53%, cotado a R$ 2,8660, enquanto o risco País pulou de 1.510 para 1.558 pontos. O mercado de juros é que teve o melhor comportamento: a taxa dos contratos futuros para janeiro, os mais negociados, fechou em baixa, de 21,2% para 21,12% ao ano. Isso também ocorreu, segundo operadores, porque os mercados de câmbio e juros já estavam fechados quando o pânico tomou conta de Nova York.
O chefe de Derivativos do Lloyds TSB, Maurício Zanella, diz que os investidores brasileiros estão realmente otimistas quanto à possibilidade de que um acordo de transição com o FMI. Para ele, a maior parte do mercado não espera de fato que o acordo seja definido na semana que vem, durante a visita de Krueger, mas acredita que a vinda da número 2 do FMI indica que, se o País precisar, poderá recorrer à instituição. ''Foi a expectativa de que o acordo esteja encaminhado que segurou o mercado. Se houver a percepção de que isso não é verdade, a volatilidade pode voltar.''
Para o analista Michel Campanella, da corretora Socopa, ante o terremoto que ocorreu em Wall Street, a queda de 2,12% da Bovespa pode ser considerada positiva. ''Se não fosse o otimismo causado pela vinda de Krueger, a Bolsa teria caído muito mais.'' O estrategista-chefe do HSBC Investment Bank, Dawber Gontijo, é cético quanto a um acerto envolvendo os candidatos. Para ele, o mercado brasileiro está corrigindo os exageros dos preços que ocorreram nas últimas semanas, mas pelo motivo errado.
No câmbio, alguns operadores notaram a atuação dos importadores, que aproveitaram para comprar dólares depois da queda forte da quinta-feira. O BC vendeu a ração diária de US$ 50 milhões diretamente ao mercado, o que, num dia de poucos negócios, contribuiu para que as cotações não disparassem.


