São Paulo - Após seis meses de muita volatilidade, mas de dois investment grade, os investidores em ações estão se perguntando onde está a exuberância que foi sinônimo de Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos cinco anos. De 2003 a 2007, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), acumulou alta de 467%, mas, nos seis primeiros meses deste ano, amarga até ontem 1,77%.
  Mesmo fechando no azul ontem - a oitava alta em 21 pregões -, a Bovespa ainda acumula perdas de 10,43% no mês. E o pior é que junho foi um mês em que a volatilidade diária foi bem menor: a tendência de queda se manteve praticamente uniforme ao longo do mês. ‘‘Foi um semestre muito complicado. Nada parecido com o que se viu nos últimos cinco anos’’, observa o economista-chefe da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira.
  Em artigo divulgado ontem, o FT.Com ressaltou que os mercados acionários globais caminham para a pior performance no primeiro semestre em 26 anos, após uma semana em que o petróleo atingiu recorde e as preocupações com a saúde do sistema financeiro e o crescimento mundial foram renovadas. Na sexta-feira, o índice de ações mundial MSCI, calculado pelo Morgan Stanley, havia caído 11,7% desde o começo do ano, o pior resultado para primeiro semestre desde o declínio de 13,8% nos primeiros seis meses de 1982.
  O que vem puxando as quedas das ações atualmente é a mesma justificativa dada no final do ano passado - a crise norte-americana -, só que agora turbinada com a elevação da inflação ao redor do mundo. Os grandes bancos norte-americanos ainda não contabilizaram todas as perdas geradas a partir da crise no subprime e tampouco as empresas já livraram os balanços dos números ruins.
  E a recuperação se torna ainda mais difícil agora com o petróleo batendo recordes sucessivos. Além do aumento da demanda por China e Índia, e da oferta estreita do produto, que não avança no mesmo ritmo do consumo, os investidores têm procurado por esses contratos por conta do enfraquecimento da maior economia do planeta. Com o dólar enfraquecido, as commodities de maneira geral têm disparado. O que seria bom para o mercado doméstico de ações, dado que Petrobras e Vale são as principais ações do Ibovespa e respondem por um terço do índice.
  Mas não é bem isso o que tem acontecido. Embora os analistas se revezem em repetir que as condições macroeconômicas domésticas são boas, que o Banco Central brasileiro está na vanguarda no combate à inflação por ter se antecipado ao ciclo de aperto monetário e a economia esteja aquecida, uma gripe no exterior ainda nos afeta. Isso significa dizer que até mesmo as ações ligadas a commodities podem cair com o enfraquecimento do PIB mundial. ‘‘Afinal, se houver retração econômica, o petróleo terá menos pressão de demanda e, com isso, as vendas diminuirão’’, justificou um analista que prefere não se identificar.

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