Agência Estado
De São Paulo
A Bovespa abriu em baixa e chegou a cair 1,54% no período da manhã, acompanhando a apreensão dos mercados mundiais com sentença judicial contra a Microsoft. Mas o comportamento do Dow Jones não foi tão pessimista quanto analistas esperavam. O índice norte-americano caiu 58 pontos na mínima do dia e operava em alta de um ponto às 18 horas. Como a reação foi calma ao affair Microsoft, as ações da Bolsa de Valores de São Paulo encontraram compradores e o índice da carteira teórica paulista fechou com ganho de 1,93%. O volume financeiro somou R$ 763 milhões, giro acima do projetado pela manhã e considerado bom pelos operadores.
Na sexta-feira, a Microsoft foi considerada monopolista pelo juiz federal norte-americano Thomas Jackson, no processo antitruste movido pelo governo dos EUA. Agora que faz parte do índice Dow Jones, o papel chegou a cair mais de 8% durante o pregão, mas este comportamento foi parcialmente compensado pela valorização das ações das empresas suas concorrentes. Além disso, houve quem achasse que o processo judicial envolvendo a Microsoft ainda vai se arrastar e seria uma boa oportunidade aproveitar seus preços baixos ontem.
A capitalização da Microsoft na maior bolsa do mundo, a de Nova Iorque, perdeu quase US$ 20 bilhões com a queda de suas ações – que estavam em baixa de quase 4%, a US$ 88, por volta das 16h30 GMT no Nasdaq, índice da bolsa eletrônica. A capitalização no mercado acionário está a US$ 452 bilhões contra US$ 471 bilhões de sexta-feira, antes da Justiça ditar que a Microsoft tem uma posição de monopólio.
O comportamento positivo do Dow Jones (quando a expectativa para o dia era ruim) e a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, foram fortes estímulos para mais uma rodada de queda nos juros futuros. O mercado de renda fixa está otimista e, em sua maioria, aposta numa queda da Selic – o juro básico da economia –– para uma faixa entre 18,5% e 18,75%, com viés de baixa ou neutro. A Selic oficial, atualmente, está em 19%, mas, na prática, por conta das atuações decrescentes e quase que diárias do Banco Central no overnight, ela é de 18,80% – última taxa de atuação do BC, na sexta-feira, já que não houve intevenção no mercado ontem.
O mercado de câmbio mantém expectativas positivas em relação a uma menor volatilidade nas cotações da moeda norte-americana. Por isso, operadores atribuíram ao fluxo cambial negativo a alta de 0,21% na cotação do dólar ontem, que encerrou o dia em R$ 1,9260. Por enquanto, vale a idéia de que o piso do dólar está na casa de R$ 1,92.

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