São Paulo - A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) não resistiu à derrocada generalizada das Bolsas de Valores mundiais, num dia em que foi mais forte o temor de uma desaceleração da economia global. Nos últimos cinco dias, a Bolsa brasileira desabou 8,82%.
  Ontem, o Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, retraiu 3,96% e atingiu os 51.408 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,21 bilhões. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,722 na venda, com acréscimo de 2,68%. A taxa de risco-país marca 259 pontos, número 2,77% mais alto na comparação com a pontuação anterior.
  Já o dólar à vista esbarrou na cotação de R$ 1,72 no balcão, depois que indicadores da economia norte-americana e informações desfavoráveis da Europa elevaram o grau de temor ao risco. No fechamento, registrou alta de 2,44%, a R$ 1,7190 – tendo oscilado da mínima de R$ 1,6780 (estável) à máxima de R$ 1,72 (+2,50%). Trata-se da sexta elevação seguida e do maior valor desde 2 de abril deste ano. Na roda da BM&F, terminou a R$ 1,716, em alta de 2,39%. O volume financeiro atingiu US$ 6,548 bilhões, sendo US$ 2,195 bilhões em D+2, até as 16h40.
  A aversão ao risco também repercutiu no mercado de juros. Em sessão de volume de negócios robusto na BM&F, o DI janeiro de 2010 (335.135 contratos) terminou em 14,82%, com máxima de 14,86%, de 14,64% ontem. O DI janeiro de 2012 (189.730 contratos) saltou de 13,95% para 14,29%, com máxima de 14,31%.
  Na Bolsa, nada indica que hoje o dia será melhor. Grande parte do mau humor de ontem decorreu de dados que mostraram enfraquecimento do mercado de trabalho norte-americano. Hoje sai o principal indicador deste segmento, o payroll, com expectativas nada favoráveis. Segundo analistas, não é impossível a Bovespa romper os 50 mil pontos. Mas isso ainda não serve de justificativa para revisões nas previsões de 2008: eles ainda prevêem fechamento de 65 mil a 75 mil pontos.
  Ontem, as notícias ruins vieram da Europa, com a revisão em baixa do PIB da zona do Euro e dados de enfraquecimento da demanda doméstica na Alemanha. Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu 15 mil na última semana, ante expectativa de que cairia 5 mil e o custo de mão-de-obra foi revisado para -0,5%, ante +1,3% anunciado antes, um sinal de enfraquecimento do mercado de trabalho. As varejistas ainda apresentaram vendas menores em agosto e o setor financeiro esteve no foco com a notícia de que Korea Asset Management (Kamco) estaria revendo seus planos para investir nos créditos podres do Lehman Brothers e do Merrill Lynch.
  Em Wall Street, o Dow Jones recuou 2,99%, aos 11.188,2 pontos, o S&P terminou em queda de 2,99%, aos 1.236,82 pontos, e o Nasdaq recuou 3,20%, para 2.259,04 pontos. O sinal de enfraquecimento da atividade levou os investidores a se desfazerem de ativos de risco, o que responde pela fuga de estrangeiros vista ontem na Bovespa. As commodities caíram e reforçaram as vendas em Vale e Petrobras, que caíram acima de 3%. Na Nymex, o contrato para outubro do petróleo terminou em US$ 107,89
(-1,34%), Petrobras ON perdeu 3,67%, PN, 3,53%, Vale ON, -3,03%, e PNA, -3,11%. Apenas seis ações do Ibovespa não caíram e as maiores altas foram Comgás PNA, +1,59%, e CCR ON (+0,71%).

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