Bovespa já recuou 27,5% em agosto. É o fundo do poço?
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domingo, 23 de agosto de 1998
Agência Estado 
Antonio Scorza/France PresseVôo de capitaisOperador da Bolsa do Rio acompanha a queda livre das ações pelo monitor: oscilações no mercado devem continuar nos próximos dias, com a instabilidade internacional As Bolsas brasileiras passam por um momento extremamente conturbado, em razão da instabilidade externa. Embora o mercado acionário paulista tenha recuado 27,50% no mês, derrubando o preço das ações para níveis impensáveis há algumas semanas, nenhum especialista se atreve a dizer se o fundo do poço foi atingido.
No curto prazo, a perspectiva é de continuidade das fortes oscilações desses mercados. Por isso, o investidor só deve aplicar em Bolsa se tiver um horizonte de longo prazo. Se esse não for o caso, o mais indicado é dar preferência às aplicações de renda fixa, que oferecem segurança e continuam pagando juros reais altos.
O diretor de Investimentos do Banco HSBC Bamerindus, Luis Eduardo de Assis, diz que, se o investidor puder deixar o dinheiro aplicado por pelo menos um ano e meio, o momento é favoravel para a compra de ações.
Telebras PN está cotada por R$ 98,50 o lote de mil, nível de preço que pode ser considerado muito atraente. Segundo Assis, o péssimo momento vivido pelas Bolsas domésticas está relacionado exclusivamente com o cenário externo, que coloca todos os emergentes sob forte suspeita.
No curto prazo, há vários fatores, todos eles externos, que podem contribuir para prejudicar o desempenho das Bolsas brasileiras. Os mais imediatos são o temor de uma desvalorização cambial na Venezuela e os desdobramentos da moratória russa. Hoje, o governo do país vai anunciar a reestruturação de sua dívida, o que vai concentrar a atenção dos investidores. Além disso, a situação japonesa continua indefinida. Para quem não pode deixar o dinheiro aplicado por tanto tempo, a renda fixa aparece como o porto mais seguro. O ganho real oferecido por aplicações como fundos e CDBs é muito atraente, principalmente levando em conta o baixo risco oferecido.
A forte tensão externa pode fazer com que o Banco Central (BC) interrompa (ou pelo menos desacelere) a trajetória de queda dos juros, para não estimular uma fuga de recursos do País.


