O mercado acionário brasileiro viveu um dia de grandes oscilações, no compasso do vaivém das bolsas novaiorquinas (leia mais ao lado). O Ibovespa oscilou entre a mínima de 2,13% à máxima de 1,54%, para fechar em alta de 0,08%. O volume financeiro somou R$ 514 milhões. Em Nova York, depois de contabilizarem altas moderadas até pouco depois do almoço, a Nasdaq fechou em queda de 1,54% e o índice Dow Jones recuou 0,19%. As perdas foram até reduzidas, tendo em vista o cenário incerto depois dos ataques terroristas. Apesar das quedas, os mercados passaram pelo teste do segundo dia de reabertura dos negócios em NY.
A terça-feira já amanheceu com mais sinais de boa vontade por parte dos Bancos Centrais mais relevantes do globo. O Banco da Inglaterra anunciou a redução da sua taxa de recompra em 0,25 ponto percentual, para 4,75%, em reunião extraordinária de política monetária. O Banco do Japão tomou medidas adicionais de flexibilização de política monetária, uma vez que sua taxa de juros é próxima de zero. Este sincronismo histórico em muito vem contribuindo para a relativa acomodação dos mercados. De todo modo, alertam analistas, falta a reação efetiva do presidente dos EUA, George Bush, contra o pior ataque terrorista da história.

Os juros futuros recuaram bastante nesta terça-feira. Este movimento foi possível porque as bolsas norte-americanas foram capazes de sustentar, pelo segundo dia consecutivo, um comportamento razoavelmente equilibrado. Segundo operadores, quase toda a ''gordura'' foi devolvida os juros futuros do fechamento de ontem estão apenas um pouco acima das taxas registradas no dia 10, véspera do atentado; daqui para frente, ficam à mercê dos novos acontecimentos, reagindo equilibrada ou dramaticamente conforme a resposta dos EUA ao terrorismo e também, mas agora em segundo plano, conforme a evolução do quadro econômico da Argentina.
Também contribuíram em boa dose para este comportamento dos juros as declarações dadas anteontem pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, praticamente antecipando a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) de manutenção da taxa Selic nos atuais 19%. Em resposta à uma pergunta sobre se havia folga também no Brasil para reduzir os juros, a exemplo do que aconteceu na economia norte-americana, Fraga afirmou: ''Não temos folga''.
O presidente do BC disse também que não faria sentido o BC elevar os juros e jogar o País numa recessão nos últimos três meses do ano, para fazer com que a inflação ficasse neste ano abaixo de 6%. Se não há folga para redução e se não há sentido em elevar os juros, tudo fica como está, pelo menos agora (sabe-se lá qual o tamanho da retaliação dos EUA). Para a reunião do Copom que acaba hoje, não tem mais graça fazer os tradicionais ''bolões'' de apostas nas instituições financeiras sobre o destino da Selic.

mockup