São Paulo - A sexta-feira não poderia ter sido pior. À decisão do Copom, pesquisa do Ibope e adiamento da votação da CPMF, somaram-se ontem o aumento do gás, a questão do aço e a disparada do dólar na Argentina. A Bovespa não resistiu e fechou em queda de 2,94%, com giro financeiro de R$ 715 milhões. O índice futuro para abril recuou 3,32%, para 13.390 pontos.
O humor do mercado já amanheceu azedo com a notícia de que a Petrobras promoverá um aumento de 14,5% do gás de cozinha, o que fez todos os economistas reverem sua projeção de IPCA para abril. O Lloyds TSB, por exemplo, elevou sua estimativa para uma taxa entre 0,60% e 0,70% para o próximo mês. Depois, veio a notícia de que a União Européia também vai sobretaxar suas importações de aço semi-acabado, produtos cítricos e cereais, o que tende a prejudicar a balança comercial brasileira.
Não bastasse este cenário sombrio, a Argentina voltou à cena. O dólar disparou para 3,10 pesos, em meio a rumores de feriado cambial e bancário nos três primeiros dias úteis da próxima semana, o que resultaria em reabertura dos negócios só em abril, na terça-feira, dia 2. Isso por causa da Semana Santa e do feriado das Malvinas na segunda dia 1º de abril.
Enquanto o peso derreteu, a Bolsa de Buenos deu um salto de 6,15%. Dois fatos explicam este comportamento do índice Merval: a fuga da moeda local (procura por ativos reais) e a depreciação das ações em pesos, o que as torna atrativas em dólares.
Por fim, o mercado temeu pela pesquisa realizada pela Sensus, sob encomenda da CNT, que será divulgada na segunda-feira. O medo é de que este retrato de intenções de voto não seja tão favorável ao candidato do mercado, José Serra, do PSDB.
Este turbilhão de más notícias e expectativas ruins fez um estrago no Ibovespa. Apenas uma ação do índice fechou em alta, a saber, Itaú PN (+0,38%). Os maiores tombos foram registrados por Inepar PN (-8,50%), Tele Celular Sul ON (-8,33%), Embratel ON (-8 ,20%) e Cesp PN (-7,12%).
O mercado de juros intensificou o seu mau humor ontem, elevando os juros futuros além do ajuste que seria natural após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ter reduzido a Selic em apenas 0,25 ponto porcentual (quando a maioria esperava um corte de 0,50 ponto).

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