Bovespa fecha maio com queda de 15,6%
Bovespa fecha maio com queda de 15,6%
Com o recuo de 3% ontem, Bolsa de Valores de São Paulo tem pior resultado em um mês desde o auge da crise asiática
Agência Folha
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve queda de 3% ontem, encerrando o mês com recuo de 15,6%. No ano, acumula queda de 3,43%. Desde o auge da crise asiática, no segundo semestre do ano passado, que a bolsa paulista não encerrava um mês com queda tão acentuada. Em agosto de 97, a Bovespa teve queda de 17,6%. Em outubro o índice chegou a cair 23,83%, se recuperando depois. Neste ano, o Ibovespa havia caído em janeiro (-4,67%) e abril (-2,25%). A maior alta foi em março: 13,02%.
Analistas afirmam que, embora a situação seja diferente agora, os investidores estão mais temerosos diante da possibilidade de um novo crash global. Por isso, o desespero falou mais alto durante todo o mês. A queda de ontem teve influência direta da bolsa de Nova York, que também operou em baixa durante quase todo o dia e acabou fechando com queda de 70,25 pontos (0,78%).
Uma notícia vinda da Rússia desestabilizou os mercados de todo o mundo ontem. Especula-se que um banco privado russo não conseguirá quitar dívidas que vencem na próxima segunda-feira. A única saída seria uma intervenção do governo local.
As ações preferenciais da Telebrás tiveram queda acentuada ontem, de 4,23%, acima da média da Bovespa. Segundo um analista, o mercado começa a se preocupar com o baixo número de grupos inscritos nos data rooms das empresas do sistema, que são 11 hoje.
O desempenho do Brasil foi pior no mercado interno que no externo nesta sexta-feira. Os ADRs (American Depositary Receipts) da Telebrás tiveram queda de 3,17% em Nova York, abaixo da desvalorização de 4,23% da Telebrás PN, na Bovespa.
Os C-Bonds (títulos da dívida externa brasileira renegociada) terminaram o dia com queda menor que a média (-0,64%), mas o comportamento é preocupante, em virtude dos rumores relacionados à Rússia. Se for confirmada a inadimplência bancária naquele país, a expectativa é de queda bastante significativa nos títulos brasileiros.
O volume financeiro na Bovespa foi baixo ontem, de R$ 527,659 milhões. Esse volume, segundo operadores, confirma a continuidade da falta de liquidez no mercado e torna mais clara a intervenção do governo na quarta e na quinta-feira.
As maiores quedas de ontem no Ibovespa foram de EPTE PN (19,4%), Telerj Celular PNB (9,6%) e Telerj PN (8,5%). As maiores altas ficaram com Ipiranga Petróleo PN (3,9%), Ceval PN (2,3%) e Cemig ON (1,7%).





