São Paulo - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desceu para o menor nível em três anos, após amargar retração de 20,18% somente nos últimos quatro dias. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, despencou 6,91%, para os 31.481 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,47 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York desabou 3,59%.
O temor de uma recessão global fez as Bolsas de Valores desabarem na Ásia, na Europa e continente americano, principalmente após a notícia de que o Reino Unido ficou mais próximo de cair em uma recessão, uma palavra cada mais corrente em relatórios de bancos e corretoras. Em outro dia tenso, o Banco Central brasileiro voltou a intervir agressivamente no câmbio, vendendo moeda.
''Tem um sentimento de pânico no mercado. Os investidores estão reagindo de forma exagerada a qualquer notícia ruim que possa surgir, porque a aversão ao risco está muito grande. E não importa que a Bolsa esteja barata, que os fundamentos da economia estejam bons: o investidor não está olhando para isso nesse momento'', sintetiza Guilherme Mazzilli Pereira, analista de renda variável da Daycoval Asset Management.
''É muito difícil dizer quando isso (as turbulências do mercado) vai acabar. O cenário para a Bolsa ainda está muito negativo. Para começar a recuperação dos mercados, primeiro tem que reduzir a volatilidade. Nesse momento, os investidores vão agir de maneira menos irracional e começar a ver os fundamentos das empresas'', acrescenta.
A ação da Vale do Rio Doce, um dos papéis mais negociados da Bolsa brasileira, contribuiu para segurar as perdas do dia, num pregão em que o índice Ibovespa chegou a registrar queda de 8,96% em seu pior momento.
Com negócios de R$ 673 milhões, a ação preferencial da Vale cedeu 5,36%, em contraste com a derrocada de 10,13% de outro papel bastante influente da Bolsa, a ação preferencial da Petrobras.
Na quinta-feira à noite, a mineradora surpreendeu o mercado ao revelar um lucro de R$ 12,4 bilhões no terceiro trimestre, mais que o dobro (167%) do resultado em idêntico período no ano passado. Num sinal do grau de depreciação a que chegaram as ações brasileiras após meses de crise, uma corretora projetou um preço-alvo (projeção em 12 meses) em torno de R$ 70 para a ação, que ontem foi cotada a R$ 22,05.

mockup