A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a semana com baixa de 2,40% e atingiu o pior resultado desde o auge da crise mundial. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, baixou a 47.056,04 pontos, patamar pouco acima dos 45.821,44 pontos de 28 de abril de 2009. Os anúncios de recuperação dos Estados Unidos fazem com que ocorra uma saída de capital do Brasil para lá, mas o movimento de queda passou a ecoar mais forte diante da percepção de enfraquecimento da economia nacional e das manifestações que tomaram as ruas das principais cidades do País. A retração chega a 4,61% em uma semana, a 12,05% no acumulado do mês e a 22,80% no ano.
Notícias de que o Federal Reserve (Fed, equivalente ao Banco Central dos EUA) reduziria os estímulos à economia norte-americana diante da expectativa de recuperação do crescimento fizeram com que os investidores direcionassem investimentos para lá. O resultado é a venda de ações no Brasil e em outros mercados emergentes, explica o superintendente de Mesa Bovespa da Concórdia Corretora, Romeu Vidali. "Há um aumento na taxa de juros lá fora, que gera a fuga de capital para economias consideradas de maior qualidade", diz.
O problema é que a redução nos investimentos em ações no Brasil deveria ser menor. O consultor em Londrina Caio Viana, da O2 Investimentos e Corretora de Seguros, afirma que isso se deve à percepção de que há intervencionismo exagerado na condução de política econômica nacional, à fraca atividade e ao crescimento menor do que o esperado da parceira China. E a tendência é de que a Bolsa continue assim por um bom tempo. "Acreditamos que este movimento durará no mínimo de seis meses a um ano, porque os investidores ainda estão descrentes na renda variável e as perspectivas do cenário econômico atual não tendem a mudar."
Uma consequência é a alta do dólar, já que o capital deixa o País e vai para os EUA. O investimento na moeda americana também passa a crescer, o que resulta em valorização ainda maior. Como muitos produtos consumidos no Brasil dependem de insumos importados ou vêm do exterior, ocorre aumento da inflação. Nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a solução para o combate da alta de preços, que corrói o poder de compra da população, foi elevar os juros. No entanto, a medida deve gerar nova evasão de recursos da Bolsa. "Em vez de investir em ativos de risco, a pessoa prefere aplicar em renda fixa porque a taxa de juros aumentou", diz Vidali.
Os dois especialistas recomendam cautela aos investidores, independentemente da queda no valor das ações. "A melhor opção é escolher ações conservadoras, que não sofrem tanto com a queda", orienta Viana. Ele completa que também é possível comprar papéis que estão com valor abaixo do ideal, desde que exista uma estratégia definida e que o investidor tenha paciência. Para quem acredita que teve prejuízo, Vidali lembra que é preciso calma. "Se não tomou decisão antecipada, não pode se precipitar agora e vender na baixa para comprar, por exemplo, dólar na alta. Nem sempre vale se desfazer da posição neste momento." (Com Agência Estado)

mockup