Bovespa fecha com forte alta de 5,89%
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Epaminondas Neto<br> Folhapress 
São Paulo - Os investidores reagiram com euforia ao pacote do Tesouro americano para ''limpar'' os bancos dos chamados ''ativos tóxicos'' (créditos problemáticos), mobilizando pelo menos US$ 500 bilhões. As Bolsas dos EUA, no epicentro da crise, dispararam após o anúncio, puxando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), onde investidores estrangeiros movimentam mais de um terço do giro diário.
A autoridade americana também esclareceu que vai utilizar leilões, e a parceria com investidores privados, para colocar preço nos ''ativos tóxicos'', justamente uma das principais dúvidas do mercado financeiro.
Com a forte valorização de ontem, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 11,14% neste mês, enquanto o dólar tem perdas de 5,23%.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, disparou 5,89% no fechamento, uma alta não vista desde o início de janeiro. O indicador encerrou o dia aos 42.438 pontos, o maior desde o dia de 6 de fevereiro. Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em alta de 6,84%.
O economista da Máxima Asset Management, Felipe Casotti, afirma que o pacote foi muito bem recebido pelo mercado e cita como um dos possíveis motivos as condições atrativas para os investidores privados. ''O pacote apresenta para o investidor privado uma relação muito boa entre risco e retorno. Se os preços dos ativos caírem muito, o governo pode entrar com mais garantias'', comenta. ''Do ponto de vista do investidor, o governo montou um pacote muito atraente. O problema é que do ponto de vista do contribuinte, pode ter um custo bastante alto'', acrescenta.
O pacote prevê que investidores privados e bancos negociem preços, por meio de leilões, para os créditos problemáticos que hoje sobrecarregam as instituições financeiras. ''O problema é que ninguém garante que esses preços não caiam ainda mais e todo o pacote pode ter um custo muito alto'', avalia.
Casotti também está preocupado com ''o lado real'' da economia: o setor imobiliário, justamente a origem dos créditos ''subprime'' que precipitaram a pior crise global em 70 anos. ''Nós ainda temos que ver como vai evoluir o mercado imobiliário, que é o centro de tudo. E se a taxa de inadimplência continuar a subir muito? Não adianta nada agir no mercado de ativos financeiros se o setor imobiliário continuar muito ruim'', comenta.


