A Bovespa deslanchou ontem, apesar de as Bolsas norte-americanas e argentina terem operado em baixa durante quase todo o pregão. O índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 5,05%. Este foi o maior ganho percentual desde 17 de setembro, quando as Bolsas de Nova York reabriram após terem ficado fechadas por uma semana por causa dos atentados terroristas. Naquele dia, o Ibovespa subiu 5,08%. Já o índice Merval caiu 0,86%, a Nasdaq recuou 0,42% e o Dow Jones subiu 0,04%. O volume financeiro em São Paulo atingiu R$ 1,204 bilhão.
De acordo com fontes ouvidas pela Agência Estado, os preços na Bolsa caíram tanto que os vendedores sumiram do pregão. Para estes investidores, vale a pena manter o estoque de ações em carteira ou até arriscar alguma compra adicional. A queda do dólar, de 0,32% para R$ 2,773, também ajudou a compor um ambiente mais positivo para os negócios. De todo modo, dizem operadores, a liquidez ainda é bastante estreita, o que desautoriza prognósticos de prazo maior.
As instituições financeiras estão firmes na aposta de que, amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a taxa Selic (o juro básico da economia) inalterada, em 19%.
A derrota dos partidos que formam a aliança de sustentação do presidente Fernando de la Rúa, na Argentina, não foi nenhuma surpresa para o mercado, assim como a quantidade de votos nulos e brancos nas eleições legislativas de domingo. Surpreendeu, sim, mas positivamente, o fato de a oposição não ter conquistado maioria absoluta. Entretanto, as negociações de agora em diante devem ser mais difíceis. O governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, já reiterou, por exemplo, que seu partido (Justicialista) não integrará ''nenhum governo de unidade nacional''.
O governo argentino tende a ampliar o número de reuniões de negociação antes de anunciar medidas que possam ser mal recebidas no Congresso. Ontem mesmo, o presidente De la Rúa disse, antes de embarcar para a Espanha, que seu governo não anunciará nenhum pacote econômico até amanhã. Até lá, acredita-se que o ministro da Economia, Domingo Cavallo, consiga fechar alguns apoios importantes às novas medidas. Uma fonte da Casa Rosada disse à Agência Estado que o presidente De la Rúa convocaria os governadores para uma reunião na quinta-feira, para se discutir o apoio à nova lei de co-participação, que muda o valor de repasses às províncias e coloca a arrecadação como garantia da dívida pública.
O mercado brasileiro aguarda a divulgação das medidas, mas já deixou de temer um dos chamados 4 Ds (desvalorização, default, depósitos confiscados e dolarização) no curto prazo. De qualquer forma, o governo argentino tem pressa em anunciar o pacote, porque os parlamentares eleitos neste domingo tomam posse no dia 10 de dezembro. Aí, as negociações endurecem.
Quanto aos casos de antraz nos EUA (até agora são 12 as pessoas expostas à bactéria), o mercado observa, mas não dá sinais de pânico por enquanto. O governo norte-americano reconheceu tratar-se de bioterrorismo, mas não fez ligações entre esses casos e Osama bin Laden, acusado de arquitetar os ataques ao WTC.
O dólar comercial operou de lado ontem, com tendência de queda. A moeda norte-americana encerrou vendida a R$ 2,773, em baixa de 0,32%, ante o fechamento da última quinta-feira. Passadas as eleições legislativas argentinas, que enfraqueceram ainda mais a base de apoio ao governo De la Rúa, o mercado cambial espera com ceticismo o anúncio de um novo pacote econômico, que incluiria uma troca de títulos da dívida entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões. A ausência de fatos novos graves relacionados à guerra contra o terrorismo também impediu uma variação brusca dos preços, disseram operadores das mesas de câmbio.

mockup