Bovespa cai 6%; taxas de juros avançam
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Agência Folha São Paulo 
O mercado financeiro encerrou o dia de ontem sob forte nervosismo: juros e dólar futuro fecharam no nível mais alto, enquanto a Bolsa de São Paulo, depois de chegar a cair 9%, registrava no fechamento desvalorização de 6,02%, queimando a alta do dia anterior. Na Bolsa do Rio, queda foi de 3,5%. Nas mesas de operações, uma onda de rumores sobre a falta de caixa de instituições financeiras contribuiu para aumentar a agitação - e ampliar a queda nas bolsas. A explicação corrente entre os operadores é que muitas corretoras e bancos estavam precisando vender ações para ter dinheiro e saldar seus compromissos.
Parte considerável desses compromissos diz respeito a prejuízos que essas instituições tiveram tanto no mercado interno como também no de Nova York. No último caso, o prejuízo aumentou ontem com a queda de 8% dos títulos da dívida brasileira.
Os fundos de investimentos também precisaram vender ações em grande quantidade para fazer frente ao grande volume de resgates. Com o mercado financeiro brasileiro precisando reequilibrar seus ativos e passivos, a alta de 18,8% da Bolsa de Hong Kong e o bom desempenho dos mercados europeus foram insuficientes para pôr fim à instabilidade local.
A expectativa em torno do discurso do presidente do Banco Central norte-americano, Alan Greenspan, acabou se mostrando exagerada: ele não disse nada de novo, ou seja, não sinalizou nenhuma alta dos juros por lá - e mesmo assim a situação se agravou por aqui ao longo do dia.
Após o discurso, a Bolsa paulista pareceu que decolaria - subiu 3%, no melhor momento do dia, seguindo a alta de Nova York. Quando o mercado nova-iorquino de ações fraquejou, o daqui veio abaixo. No fechamento, Nova York ficou estável, com alta de apenas 0,11%.
No mercado futuro de dólar, que reflete a expectativa dos investidores para a desvalorização do real, a situação foi bem mais complicada. A cotação do dólar para o dia 1º de dezembro fechou a R$ 1,118, projetando uma correção do câmbio de 1,2% para novembro. No início da semana passada, essa taxa era de aproximadamente 0,8%.
Os juros voltaram a subir no período da tarde. O custo dos empréstimos de um banco a outro subiu a 33% ao ano. Durante a manhã, essa taxa era de 24,7%.


