Bovespa cai 6% e dólar bate recorde do Real
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segunda-feira, 22 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O nervosismo voltou ontem a tomar conta do mercado brasileiro, por causa da combinação de mais um dia de forte instabilidade nas bolsas internacionais e de rumores sobre ascensão de Ciro Gomes (PPS) e queda de José Serra (PPS) na pesquisa do Vox Populi que deverá ser divulgada hoje. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 6,53%, em 9.892 pontos, o nível mais baixo desde 19 de agosto de 1999, apurando a maior desvalorização desde 13 de setembro do ano passado. O dólar, por sua vez, subiu 1,26%, negociado a R$ 2,902, definindo mais um recorde do Plano Real. A moeda está em alta de 25,3% no ano.
Dessa vez, a expectativa em relação à visita da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, ao País não impediu o naufrágio do mercado brasileiro. A taxa dos contratos futuros de juros para janeiro, os mais negociados, pulou de 21,12% para 21,9% ao ano, enquanto o risco Brasil aumentou de 1.558 para 1.598 pontos. O C-Bond, o título da dívida externa brasileira mais negociado, caiu 2,95%, cotado a 61,625% do valor de face.
Para o diretor-executivo de Tesouraria do Banco Fator, Sérgio Machado, num momento em que as bolsas americanas estão derretendo e uma crise de confiança ameaça os pregões de todo o mundo é quase impossível o mercado brasileiro sair ileso. Wall Street teve um dia muito volátil, em que os índices oscilaram com força. O Dow Jones recuou 2,93% e o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, 2,77%. O desempenho das bolsas européias foi ainda pior: Londres caiu 4,95%, fechando no nível mais baixo desde setembro de 1996, Paris 5,25% e Frankfurt 5,15%.
O diretor-vice-presidente do BNP Paribas, Carlos Calabresi, diz que, para um País que tem uma necessidade elevada de captar recursos estrangeiros para financiar suas contas externas como o Brasil (cerca de US$ 50 bilhões por ano), um cenário externo turbulento como o atual é muito ruim, o que explica parte da pressão sobre o câmbio e as ações brasileiras. Ele ressalta que as incertezas políticas também têm se intensificado, lembrando que aumenta a possibilidade de um segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro, dois candidatos que desagradam aos investidores.
E foram os rumores sobre a pesquisa do Vox Populi que acentuaram a instabilidade do mercado no meio da tarde, quando começaram a circular com mais força boatos de que a sondagem mostraria Lula com 33% a 35%, Ciro com 27% e Serra com 13% ou 14%. Embora esses rumores já circulassem em algumas mesas no fim da manhã, foi à tarde que eles ganharam intensidade e, ao lado de uma nova piora das bolsas americanas, provocaram a disparada do dólar e o tombo da Bolsa no fim dos negócios. ''O mercado voltou a cair na real'', afirma Calabresi, acrescentando que os investidores começam a ver com ceticismo a possibilidade de que saia um acordo de transição com o FMI no curto prazo. Para ele, é muito improvável que os candidatos de oposição se disponham a assinar um acordo com a instituição agora.
Um analista disse que o recuo da bolsa foi acentuado depois que o limite de perdas com a carteira de ações de algumas instituições foi atingido, o que as levou a vender as ações a qualquer preço.


