Curitiba - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a níveis de 2009 quando o Brasil e o mundo ainda sofriam os efeitos da crise financeira de 2008. Só neste ano, a queda já chega a 23%. Ontem, fechou em forte queda de 5,72%, a maior desde novembro de 2008. Há fatores do mercado interno e do cenário internacional que vêm influenciando o desempenho das ações.
Para este ano, a expectativa era de crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas a previsão foi revisada para 3,6%. Na esteira, a inflação disparou e os juros subiram. ''Qualquer redução de previsão de crescimento afeta a bolsa'', disse o consultor financeiro, Raphael Cordeiro.
A taxa de juros no País subiu mais do que o esperado. Além disso, nos últimos 40 dias acentuou-se a crise europeia e, junto com isso, foi necessário elevar o teto da dívida dos Estados Unidos que corriam o risco de decretar moratória. Além disso, os americanos terão que controlar despesas, o que afeta a expectativa de crescimento deles e a perspectiva de crescimento mundo afora.
''O problema da economia brasileira já foi digerido. Agora, a questão é a economia americana'', destacou. Cordeiro acredita em melhora da bolsa ainda neste ano, mas preferiu não fazer previsões. Ele previu que a crise americana atual não vai afetar tanto as empresas brasileiras como em 2008.
Com isso, o câmbio não deve oscilar muito e poucas empresas vão ter ''derivativos tóxicos'' como em 2008, que levou à quebra de companhias como a Aracruz e a Sadia. Ele acredita que o lucro das empresas em geral continue com desempenho positivo e o preço das commodities também deve se manter em alta.
''Quem investe em bolsa é para longo prazo'', disse. Para quem já tem dinheiro aplicado em papéis, a dica dele é manter se forem empresas boas e, para quem pretende comprar, esse é o momento. No entanto, ele recomenda cautela, ou seja, aplicar paulatinamente. A orientação dele é para que os investidores comprem fundos de índices negociados na bolsa. Caso a pessoa opte por ações de empresas específicas, a dica é escolher duas ou três empresas para poder acompanhar bem o desempenho delas.
O especialista em planejamento financeiro familiar, Augusto Sabóia, disse que a bolsa está refletindo as incertezas do mercado. Para ele, a inflação e o aumento dos juros também influenciaram as ações. Sabóia acredita em tendência de queda para a bolsa nos próximos meses. Ele recomenda para quem já aplica em ações manter o investimento e para quem pretende entrar neste tipo de investimento, aguardar mais um pouco porque as ações ainda estão caras.

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