Bovespa cai 12,98% na semana
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
A Bovespa fecha esta semana com uma queda acumulada de 12,98%. O Indice Futuro perdeu 13,98% em sete dias. E Telebrás PN, que valia R$ 130,50 (o lote de mil) na sexta-feira passada, encerrou esta sexta a R$ 112,50, uma perda de 13,79%. Decididamente, foi muito ruim esta primeira semana para valer do ano, na qual o mercado tinha embarcado mais otimista do que deveria. E a vilã da história, todo mundo sabe, é a crise asiática, que não mostra luz no fim do túnel e da qual o resto do mundo não consegue se descolar, frustrando as esperanças dos mercados.
Em dezembro, vale lembrar, a tese do possível descolamento era repetida, na medida em que o Dow Jones parecia querer resistir aos solavancos asiáticos. As primeiras prévias dos balanços das empresas norte-americanas - mais pessimistas do que o esperado - fizeram o Dow Jones vacilar. Mais para o final do mês, o indice da bolsa norte-americana parecia retomar seu fôlego de sustentação. E agora, nesta primeira semana útil do ano, recua há quatro pregões seguidos - embora a queda de quarta-feira tenha sido de apenas 4 pontos.
Esta sexta foi feia. O Dow Jones chegou a despencar mais de 200 pontos e antes de atingir este nível já levava para baixo das Bolsas brasileiras (as Bolsas fecharam quando o Dow caía 156 pontos). O temor em Nova York é o de que a deterioração das condições da economia global prejudique os lucros das empresas norte-americanas. As ações cíclicas (cujas oscilações tendem a acompanhar os ciclos econômicos) foram as que mais caíram. O Indice Bovespa fechou a sexta na mínima do dia (9118 pontos), uma queda de 5,58%. O Indice Futuro recuou 5,91%. Telebrás perdeu 6,25% e todas as blue chips despencaram. Apenas duas ações do Indice Bovespa tiveram alta, Telerj PN e Votorantim Celulose e Papel, esta última com apenas 3 negócios. A Bolsa do Rio caiu 3,04%.
Indonésia e Coréia continuam dominando a cena asiática. A Moodys Investors Service rebaixou os ratings de todos os 12 bancos da Indonésia que têm seu crédito classificado pela agência. A decisão acompanha o rebaixamento da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do país de BA1 para B2, anunciado também ontem pela Moodys.
Esta semana carrega um prognóstico pessimista para a próxima. O mercado doméstico está sem fluxo de capital estrangeiro e os recursos dos fundos - observou-se algum ingresso nos primeiros dias de janeiro, em consequência da divulgação dos rendimentos das Bolsas em 97 - já secaram também. Se há alguma coisa a fazer, é continuar acompanhando atentamente os desdobramentos do mercado externo e aproveitar algumas oportunidades e barganhas aqui e ali.


