Bovespa atinge valorização de 100%
Agência Folha
De São Paulo
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem com 13.565 pontos (alta de 0,96%) e atingiu valorização acumulada de 100% no ano. Isso significa que, em tese, para cada R$ 1,00 colocado em Bolsa no dia 30 de dezembro de 1998 (último pregão do ano passado), o investidor poderia estar retirando agora R$ 2,00. Em dezembro, o índice fechou com 6.784 pontos. Foi a aplicação que mais rendeu. Os fundos cambiais, em segundo lugar no ranking, valorizaram-se em cerca de 80%.
A variação da Bolsa paulista se refere ao Indice Bovespa, que retrata o comportamento dos 44 principais papéis e indica a média no período. Em dólar, porém, a conta é outra: a alta é de cerca de 25% no ano. A desvalorização mascarou o rendimento comparativo com outras Bolsas no mundo.
Ontem, a Bovespa ficou perto do recorde histórico de pontos no fechamento, datado de 8 de julho de 1997 (13.617 pontos), quando começou a desabar por causa da crise asiática. A cinco minutos do fim do pregão, a Bolsa apontava 13.625 pontos. Uma queda repentina de 0,45 ponto percentual, entretanto, impediu que a marca fosse quebrada. De qualquer forma, o fechamento de ontem foi o segundo melhor da história da Bolsa paulista, a mais importante do Brasil (responsável por 85% do total negociado nas Bolsas do País).
A Bolsa teve dois momentos distintos de subida no ano. No primeiro, logo após a desvalorização do real (em janeiro), as ações viraram uma proteção natural ao investidor, disse Marcelo Guterman, administrador de fundos da Lloyds Asset Management. Naquele momento, com perspectiva de inflação em alta e dólar se valorizando, parte dos investidores procurou deixar seu dinheiro em um ativo real. O segundo momento, a partir do meio de setembro, apresentou uma alta mais consistente. O mercado passou a antecipar o crescimento econômico que deve acontecer em 2000.
Somente em novembro, a Bolsa acumula alta de 15,94%. O volume financeiro do mês é o segundo melhor do ano, com média diária de R$ 798,539 milhões (45,18% a mais do que em outubro). Mesmo em dólar, a valorização é uma surpresa, disse Nicolas Balafas, do Banco BNP. Para ele, boa parte do fluxo de investimentos em Bolsa nos últimos dias pode ser creditada à migração de recursos dos fundos de renda fixa. Como os juros estão baixos, o investidor não procura a Bolsa tanto pela performance das ações, mas sim porque elas dão um retorno que já é mais vantajoso do que a inflação.





