Botijão de 13 quilos está sendo barrado
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segunda-feira, 28 de maio de 2018
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - A crise de abastecimento de itens do cotidiano como alimentos e gás, ocasionada pela paralisação dos caminhoneiros, prosseguiu nesta segunda (28), por conta de trechos de diversas rodovias ainda bloqueados. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Natural Liquefeito (Sindigás) informou nesta segunda-feira (28) que os caminhoneiros em greve não estão permitindo a circulação das cargas com Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) de botijão de 13 quilo vazios, o gás de cozinha, por avaliarem que não se trata de um serviço fundamental, como o GLP a granel, que está sendo liberado nas rodovias para abastecer serviços essenciais, como hospitais, creches, escolas e presídios.
Estariam na mesma situação os botijões de 24 e 45 quilos, disse o Sindigás em nota, que não estariam sendo reconhecidos pelos grevistas como direcionado a serviços essenciais.
Segundo o Sindigás, algumas praças ainda possuem um estoque mínimo de GLP, "apesar da situação caótica do abastecimento do produto em todo o Brasil. Por ele ser armazenável, tem a vantagem de permitir ao consumidor contar com uma reserva, em média, de até 22 dias".
Outro fator que compromete o atendimento é que o setor de GLP trabalha com uma logística reversa, na qual é imprescindível o retorno dos botijões vazios às bases para serem engarrafados. Há gás nas bases, mas o problema no abastecimento ocorre por conta das dificuldades de escoamento do produto pelas rodovias do País.
ALIMENTOS
As cinco Ceasas do Paraná (Centrais de Abastecimento) Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu não chegaram a movimentar nem 10% do volume comercializado em dias normais. Em média, a Ceasa de Curitiba, por exemplo, comercializa entre 2,3 mil e 2,5 mil toneladas de alimentos/dia.
No caso dos supermercados, a Apras (Associação Paranaense de Supermercados) manteve a recomendação de que não há motivos para que o consumidor estoque produtos, uma vez que o Estado conta com uma rede de 4,5 mil lojas, além dos Centros de Distribuição. "As grandes cidades como Curitiba e Londrina contam com redes de médio e grande porte que possuem centros de distribuição com capacidade de armazenagem entre 15 dias e 20 dias nos não perecíveis. Além disso, nos perecíveis, os mercados pequenos conseguem fazer compras direto com os produtores de hortifrútis, por isso reforçamos que embora não esteja dentro da normalidade, não vivemos uma situação de desespero ou desabastecimentos", assegurou o superintendente da Apras, Valmor Rovaris.
Ele também destacou que os estabelecimentos estão evitando qualquer reajuste por conta da situação, exceto naquilo que já sofreu uma elevação de custo como a batata. "Alguns estabelecimentos acreditam que terão queda nas vendas por conta do movimento irregular dos consumidores, uma vez que teve aumento de movimento na quinta e sexta, mas o no final de semana, muitas lojas registram queda nas vendas, em função dos clientes evitarem sair de casa para poupar combustível", constata Rovaris.
PETROLEIROS EM GREVE
A FUP ( Federação Única dos Petroleiros) e o Sindipetro PR e SC (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Paraná e Santa catarina) realizarão a partir desta quarta-feira (30) uma greve de advertência de 72 horas. O movimento tem basicamente duas grandes reivindicações: a redução do preço dos combustíveis e o fim das privatizações da Petrobras. Segundo o Sindipetro, são dois temas interligados. Os combustíveis tiveram a escalonada de preços induzida pelo modelo de equiparação ao mercado internacional e aumento das importações, impulsionadas pela decisão de reduzir a carga de produção das refinarias. A Repar, por exemplo, opera atualmente com apenas 65% de sua capacidade. "Estamos prontos para colocar a refinaria à pleno vapor e restabelecer sua capacidade total de produção. Se deixarem os petroleiros trabalharem, os preços dos combustíveis irão baixar", garante o presidente do Sindipetro PR e SC, Mário Dal Zot.
COMBUSTÍVEIS
A Plural (Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência), em nota comunicou que suas associadas, reafirmam que "tão logo as desobstruções ocorram, a população começará a sentir os efeitos da retomada do abastecimento". Ainda no comunicado, a Plural e suas associadas afirmam que estão mobilizadas e efetuando todos os esforços para abastecer o país, mas reforça que locais como São Paulo, Rio de Janeiro e Sul ainda não há um ambiente seguro o suficiente para reestabelecer o abastecimento dos serviços essenciais e dos demais clientes. "Destacamos que há disponibilidade de produto, de transporte e um planejamento estruturado para retomada imediata, mas apenas 10% da capacidade de distribuição está sendo suprida, pois a operação não é efetiva e demorada. Apesar da melhora ao atendimento dos serviços essenciais que seguem com escolta, a normalidade só será restabelecida com o desbloqueio das estradas e dos acessos aos terminais, usinas, portos e postos".
APLICATIVO
O aplicativo Menor Preço, do Programa Nota Paraná, pode ser usado como aliado para os consumidores que estão em busca de local para comprar combustíveis em meio à greve de caminhoneiros. Como ele registra as emissões de documentos fiscais do varejo em tempo real, é possível conhecer quais postos estão realizando vendas. Para que a busca seja útil, o usuário deve usar os filtros de pesquisa. É preciso clicar no ícone "combustíveis" na primeira tela do celular ou do desktop, e selecionar qual tipo de produto deseja comprar, como gasolina, gasolina aditivada, etanol, diesel ou GNV. Em seguida, é preciso clicar no filtro de pesquisa e informar a distância e a data da venda. É possível ajustar para a última hora. O aplicativo vai mostrar o endereço do estabelecimento, a distância a ser percorrida para chegar até ele e também o preço praticado pelo posto.


